Quem sou eu
- Setorial de Transportes e Mobilidade Urbana PT-SP
- São Paulo, São Paulo, Brazil
- O Setorial de Transportes do PT nasceu junto com o Partido dos Trabalhadores. O objetivo sempre foi o de fomentar políticas públicas para o transporte coletivo e logística para distribuição de mercadorias. Estamos abrindo esse espaço para ampliar a discussão sobre o tema.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Minhas reflexões sobre a semana Metroferroviária
Aconteceu em São Paulo no período de 13 a 16 de setembro a 18ª Semana Metroferroviária, organizada pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô – AEAMESP.
O evento ocorreu no centro de convenção Frei Caneca e contou com ampla participação de empresários, funcionários do Metrô, da CPTM, sindicalistas e profissionais do ramo de transportes.
Participei pela primeira vez e já na abertura pude constatar a sintonia entre o governo estadual e os organizadores. Um evento feito de tucano para tucano.
Na abertura o presidente da AEAMESP disse que no plano federal na área dos transportes ferroviários, o cenário era obscuro, por conta da troca que no Ministério dos Transportes, Dnit e Valec, como se isso fosse afetar a construção dos 5.000 quilômetros de ferrovias em ação e o projeto de mais 10.000 que estão sendo providenciados. Exaltou o governo paulista, não dizendo do atraso na implantação das linhas metroviárias como a 4- Amarela e a 5 – Lilás.
O presidente do Metrô disse que a política de transportes do governo federal de baixar o IPI para os automóveis, tinha sobrecarregado as vias urbanas de São Paulo. Verdade nisso tudo, só que as vias de São Paulo estão carregadas.
Mas a política de baixar IPI para carros novos feita pelo governo federal foi uma política econômica e não de transportes, coisa que talvez por ser advogado e não economista fez que o presidente do Metrô se confundisse.
Por paradoxal que possa parecer não é o excesso de vendas de carros que transformou em caos o trânsito paulista, mas a inexistência de uma rede de transportes públicos com qualidade em São Paulo.
Falta uma rede capilar de metrô com mais de 200 quilômetros de extensão, visto que atualmente ela só tem 74 quilômetros. Corredores de ônibus com veículos modernos também poderia ajudar.
Mas os governos estadual e municipal não fizeram a lição de casa.
Ou então teríamos de fechar as fábricas de automóveis do país e do mundo para que o trânsito em São Paulo não piore. Em cidades com redes amplas de metrô, VLT, BRT como Nova Iorque, Paris e Londres, a população possui carro, que fica na garagem, pois é mais barato usar o transporte público.
O objetivo do governo federal foi manter a produção, a renda e o emprego dos brasileiros, com êxito. E o não foi apenas o IPI dos automóveis sofreu queda, mas de uma série de produtos. O mundo estava passando por uma recessão e esses foram os instrumentos utilizados de política econômica.
Também percebi que críticas causam um grande desconforto no evento, pois ao fazer algumas perguntas houve um certo rebuliço por parte de alguns presentes. É bem capaz que no próximo não abram para quem não seja associado.
O nível das palestras foi muito bom, os temas e os profissionais escolhidos foram bem selecionados. Se aprende bastante com os palestrantes. Houve uma excelente com o Paulo Saldiva sobre os impactos da poluição oriunda dos veículos na mortalidade em São Paulo e sobre sistemas de controle de trens.
O fato do governo federal ter se apresentado no evento com um plano de investimentos de R$ 18 bilhões para a mobilidade urbana causou um mal-estar em alguns presentes. Os tucanos sempre disseram que o governo federal não coloca dinheiro no metrô. O que não é verdade pois ele deu o aval para que o governo estadual pudesse fazer R$11 bilhões de empréstimos no BNDES, Caixa Econômica, BIRD, BID e JBIC. Nunca antes da história paulista.
E depois de 40 anos sem fazer investimento no Metrô paulista, o governo federal vai aportar recursos na extensão da linha 2 – Verde e na linha 18 que vai ligar o ABC com a rede metroferroviária, através da construção de um monotrilho.
Se percebe também no evento que o corpo técnico do Metrô está envelhecido. O governo do Estado precisa ter uma política de excelência técnica para atrair jovens para as áreas técnicas que substituirão os profissionais que com muita competência implantaram o metrô paulistano. E ainda alguns estão indo para a iniciativa privada como a Via Quatro.
A AEAMESP está de parabéns pela forma impecável com que organizou o evento.
O grand finale foi com o secretário Jurandir Fernades que apresentou os projetos metroferroviários que esperamos sejam de fato construídos. A cidade de São Paulo e a região metropolitana não agüentam mais esperar que os projetos saiam do papel.
Achei que valeu a pena ter participado da 18ª Semana Metroferroviária, apesar de me sentir um estranho no ninho.
Evaristo Almeida – Coordenador do Setorial de Transportes e Mobilidade Urbana do PT-SP
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
PPA 2012-2015 - GOVERNO FEDERAL - AVIAÇÃO CIVIL
O transporte aéreo desempenhou, ao longo do século XX, um importante papel no
desenvolvimento econômico e social brasileiro ao proporcionar a redução do custo e do
tempo de deslocamento de pessoas e mercadorias, e, consequentemente, contribuiu
para a geração de novas oportunidades de negócios, empregos e renda, mesmo em
regiões antes pouco acessíveis por vias terrestres ou aquáticas.
Nesse contexto, a atuação do Estado por meio de políticas públicas como o controle de
tarifas, de capacidade e de rotas – especialmente a partir da década de 1960 –, bem
como os investimentos públicos em infraestrutura aeroportuária e de navegação aérea
civil ajudaram a consolidar o transporte aéreo como instrumento essencial para o objetivo
de integração nacional. O transporte aéreo deve ser visto, portanto, não apenas como
um vetor para integração de regiões pouco acessíveis no Brasil, mas, principalmente,
como elemento de transformação da dinâmica produtiva do país.
Nesse sentido, a Política Nacional de Aviação Civil (PNAC), aprovada por meio do Decreto
nº 6.780, de 18 de fevereiro de 2009, estabelece como principal propósito “assegurar
à sociedade brasileira o desenvolvimento de sistema de aviação civil amplo, seguro,
eficiente, econômico, moderno, concorrencial, compatível com a sustentabilidade
ambiental, integrado às demais modalidades de transporte e alicerçado na capacidade
produtiva e de prestação de serviços nos âmbitos nacional, sulamericano e mundial”. A
PNAC constitui-se como a principal política setorial da aviação civil e traz um conjunto
de objetivos distribuídos em questões que abrangem a segurança do transporte aéreo,
a prestação do serviço adequado, a proteção ao meio ambiente e ao consumidor, bem
como o desenvolvimento e a eficiência da aviação civil.
O transporte aéreo regular de passageiros no Brasil apresentou índices expressivos de
crescimento a partir de 2000, especialmente em seu segmento doméstico. Em 2010, a
demanda total alcançou 93,7 bilhões de passageiros-quilômetro transportados. Porém,
esse mercado doméstico de transporte aéreo regular de passageiros ainda apresenta
pouca concorrência. Duas companhias aéreas responderam por 82,3% do total de
passageiros-quilômetro transportados no último ano.
Vários motivos justificam o crescimento da demanda, tais como a redução do preço das
passagens aéreas (em algumas rotas o transporte aéreo apresenta hoje um custo inferior
ao do transporte rodoviário), o aumento da renda média dos brasileiros e a ampliação
da oferta de crédito. Para o crescimento sustentado do setor, a expansão da oferta de
serviços e da infraestrutura aeroportuária representa o principal desafio. Dessa forma,
objetiva-se aumentar a capacidade da rede de aeroportos do Brasil de modo a possibilitar
o processamento de 305 milhões de passageiros, observadas as normas regulamentares de
prestação de serviço adequado expedidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Importante ressaltar que essa infraestrutura nem sempre está distribuída de acordo com o
território, ou com a circulação de passageiros. Os aeroportos administrados pela Empresa
Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) na Região Sudeste do país receberam,
em 2010, cerca de 51,9% do total de passageiros movimentados, que equivale a 80,6
milhões de pessoas. Já em termos de infraestrutura, a mesma região possui 199 dos 726
aeródromos públicos brasileiros - 27,4% do total. Em contraposição, a Região Norte, a
despeito de sua área de 3,85 milhões de quilômetros quadrados (45,3% do território
nacional) possui apenas 132 aeródromos públicos (18,2% do total), e recebeu apenas
5,5% do movimento total, equivalente a 8,5 milhões de passageiros.
No intuito de viabilizar investimentos, o Governo Federal estuda alternativas de inclusão
do setor privado na gestão e financiamento do setor aéreo, com o objetivo de atrair novas
fontes de recursos que proporcionem ganhos de eficiência na operação dos aeroportos.
Neste sentido, destacam-se as alternativas de concessão comum (como a realizada no
Aeroporto de São Gonçalo do Amarante/RN – ASGA) e as parcerias público-privadas.
Estas novas fontes de financiamento, provenientes do setor privado, serão importantes
para preparar os aeroportos para dois eventos que o Brasil irá sediar: a Copa do Mundo
de Futebol em 2014 e as Olimpíadas, em 2016, no Rio de Janeiro.
Em termos de malha aérea doméstica, há uma forte concentração de rotas regulares de
passageiros ao longo do litoral brasileiro, onde se concentra a maior parte da população
do país. Vale destacar ainda, o papel dos aeroportos de São Paulo - Congonhas e
Guarulhos - como principais pontos de origem e destino das rotas de maior densidade
de tráfego, bem como o de Brasília para a distribuição de voos entre as Regiões Norte/
Nordeste e Sul/Sudeste. Por isso, um dos principais eixos do Programa é a expansão da
oferta de transporte aéreo regular (incorporação de novos aeroportos e novas rotas) –
ampliar para 150 o número de aeroportos atendidos por transporte aéreo regular de
passageiros e cargas, e aumentar para 1.000 o número de rotas servidas por transporte
aéreo regular de passageiros e cargas.
Além do crescimento da aviação civil brasileira, e da crescente utilização do espaço aéreo,
é esperado um aumento do movimento de aeronaves no Brasil de, em média, 5% ao
ano. Esses fatos exigem que esse espaço seja gerenciado de forma segura e eficiente, por
meio do emprego das mais modernas tecnologias, visando aumentar a sua capacidade,
e assim acomodar um número crescente do tráfego aéreo, mantendo níveis idênticos ou
superiores de segurança e eficiência, favorecendo a economia e o desenvolvimento dos
serviços aéreos.
O Programa estabelece, portanto, objetivos, metas e iniciativas voltadas para o
desenvolvimento da Aviação Civil, por meio da coordenação de ações que viabilizem a
adequação da capacidade das infraestruturas aeroportuária e aeronáutica à expansão
do transporte aéreo regular de passageiros e carga de forma segura. Ademais, busca-se
ampliar a segurança operacional e a proteção contra atos de interferência ilícita, bem
como, desenvolver a aviação civil mediante a formulação de políticas, o planejamento e
a coordenação de atividades ligadas à indústria aeronáutica, à formação de profissionais
e à sustentabilidade ambiental.
PPA 2012-2015 - GOVERNO FEDERAL - TRANSPORTE MARÍTIMO
O transporte marítimo é uma modalidade do transporte aquaviário que utiliza como
vias os mares abertos, para mercadorias e passageiros, tendo sido o modal responsável
por 94,4% do volume de exportações brasileiras em 2010. O sistema portuário cumpre
importante papel no que diz respeito aos custos e à eficiência da logística de transportes
do país, impactando diretamente na competitividade dos produtos nacionais no exterior.
Ainda com relação à competitividade, ressalta-se que o Brasil, apesar de constituir
atualmente a oitava economia do mundo, ainda não oferece plenas condições de
infraestrutura de transporte que possibilitem às empresas que aqui se instalam competirem
internacionalmente.
O Brasil possui potencial para aumentar significativamente a produção e,
consequentemente, as exportações nos próximos anos, galgando importantes saldos
e fomentando o crescimento econômico. Contudo, o aproveitamento desse potencial
depende de uma melhora expressiva na infraestrutura de transportes, incluindo os portos
brasileiros, que, em razão do forte crescimento do fluxo de comércio exterior nos últimos
anos, encontram-se saturados.
Atualmente, há 34 portos organizados sob a responsabilidade da Secretaria Especial de
Portos (SEP), dos quais 16 encontram-se delegados, concedidos ou tem sua operação
autorizada aos governos estaduais e municipais, e outros 18 portos marítimos que são
administrados diretamente pelas Companhias Docas – sociedades de economia mista
que têm como acionista majoritário a União e são diretamente vinculadas à SEP.
A profundidade inadequada dos portos nacionais e o baixo nível de investimento em
dragagens nas décadas anteriores são fatores limitadores do desenvolvimento do
transporte marítimo, visto que o acesso aquaviário a alguns portos só é possível para
embarcações de pouco calado. Desta forma, busca-se assegurar condições adequadas
de profundidade aos portos marítimos brasileiros por meio da implantação do Programa
Nacional de Dragagem Portuária (PND), que prevê intervir em 17 portos marítimos
brasileiros nos próximos 4 anos.
Complementarmente, os sistemas portuários apresentam infraestruturas inadequadas,
com terminais estratégicos concentradores e infraestruturas de armazenagem sofrendo
sobrecarga em sua capacidade. Nesse sentido, deve-se ampliar a capacidade portuária
por meio não só da adequação da infraestrutura e superestrutura nos portos organizados
marítimos, como também por meio da reestruturação e da implantação de novos portos
organizados marítimos. Além da implantação de novos portos marítimos, busca-se
adequar a infraestrutura e a superestrutura de 21 portos marítimos brasileiros durante
o período do PPA 2012-2015. Propõe-se ainda, em relação ao aumento de áreas para a
armazenagem, fomentar a implantação de portos secos e zonas de atividades logísticas
em áreas estratégicas.
Outra atividade portuária relevante é a da indústria dos cruzeiros marítimos, que nos
últimos 10 anos vem apresentando forte dinamismo, sendo o Brasil um dos líderes
mundiais de crescimento do setor. A implantação de 6 terminais de passageiros em
portos organizados marítimos visa tanto ao atendimento dessa crescente demanda,
quanto à preparação dos portos brasileiros ao volume maior de cruzeiros proporcionado
pela Copa do Mundo de Futebol de 2014 e pelas Olimpíadas de 2016. A questão do
turismo marítimo de passageiros traz em seu bojo a necessidade também de investir em
uma melhor integração porto-cidade por meio da revitalização de áreas portuárias.
Questão muito relevante para o setor são os investimentos em sistemas de inteligência
portuária, conjunto de ferramentas visando à otimização das operações, da segurança
e do desempenho portuário – como a Gestão Portuária por Resultados (GPPR), o
Sistema de Apoio à Gestão de Tráfego de Navios (VTMIS) e o Sistema de Atendimento
Portuário Unificado (Porto Sem Papel) – com o objetivo de reduzir os procedimentos
burocráticos, dar mais celeridade à operação portuária e, ao mesmo tempo, adequar
os processos logísticos portuários às normas internacionais de segurança da cadeia de
suprimentos. Também será instituído um programa que visa estabelecer procedimentos
para a regularização ambiental dos portos e terminais marítimos brasileiros, o Programa
Nacional de Regularização Ambiental Portuária (PRGAP), de modo a assegurar a operação
legal e sustentável no setor portuário.
Outro eixo importante é o aprimoramento da gestão e a formulação de políticas para
o setor. Com relação aos planos elaborados para subsidiar o desenvolvimento do
modal, pode-se citar: o Projeto de Incentivo à Cabotagem (PIC), que visa desenvolver a
navegação realizada entre portos brasileiros, utilizando a via marítima ou a via marítima e
as interiores; o Plano Geral de Outorgas (PGO), que tem como objetivo apresentar áreas
propícias à instalação de portos públicos e concentradores de terminais de uso privativo
de cargas; o Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP), que contempla a análise do
desempenho atual do setor, o diagnóstico das barreiras infraestruturais e de gestão, e a
definição do planejamento estratégico com alternativas de ações governamentais para
o seu desenvolvimento; e o PNLT, que orienta decisões de investimentos para o setor,
considerando não só a visão integrada do sistema portuário com os demais modos de
transportes, mas também fatores como dinâmica produtiva e cadeias logísticas, fluxos de
carga, infraestrutura existente, além do portfólio atual de projetos.
Desta forma, os objetivos expostos neste Programa visam tornar o sistema portuário
marítimo e o transporte aquaviário brasileiro competitivos frente ao mercado internacional
e sustentáveis ambientalmente, por meio do aumento da capacidade de movimentação
de cargas e passageiros nos portos, da ampliação do transporte de cabotagem, da
redução dos custos de movimentação portuária, e da simplificação dos procedimentos
administrativos e fiscais de desembaraço de mercadorias.
PPA 2012-2015 - GOVERNO FEDERAL - TRANSPORTE HIDROVIÁRIO
A rede fluvial nacional, conforme dados do Ministério dos Transportes, tem cerca de
42.000 km de extensão. Dos 28.000 km navegáveis (60% na Bacia Amazônica), 13.000
km são utilizados economicamente e, destes, 9.785 km comercialmente.
Com relação ao ordenamento jurídico, a Constituição Federal define a competência
da União de explorar, diretamente ou mediante autorização, permissão ou concessão
os serviços de transporte aquaviário e os portos marítimos, fluviais ou lacustres. A
Lei 12.379/11 dispõe sobre o SNV, apresentando o Sistema Federal de Viação e seus
subsistemas, como o Aquaviário Federal, que compreende: vias navegáveis; portos
marítimos e fluviais; eclusas e outros dispositivos de transposição de nível; interligações
aquaviárias de bacias hidrográficas; e facilidades, instalações e estruturas destinadas à
operação e à segurança da navegação aquaviária.
Por definição, via navegável é a superfície aquática que oferece condições naturais de
navegabilidade. Ao receber implementações e intervenções que a viabilizam para o
transporte aquaviário em grande escala, passa a se chamar hidrovia. Nesse sentido, os
principais corredores hidroviários devem ter suas condições de navegabilidade garantidas
em seus 9.785 km de extensão, por meio de sinalização, balizamento, limpeza e
destocamento, dragagens de manutenção e aprofundamento e eliminação de pontos
críticos. É importante também que se busque o fortalecimento dos eixos de integração
e desenvolvimento por meio da conexão hidroviária desses corredores com países da
América do Sul.
O transporte aquaviário de passageiros é uma das principais formas de locomoção na
Região Norte do país. Essa região possui vasta malha hidrográfica interligando diversos
municípios de difícil acesso rodoviário. Logo, o transporte fluvial é relevante para as
comunidades locais e assume forte papel socioeconômico. Nesse sentido, está sendo
proposto o desenvolvimento do transporte aquaviário de passageiros e misto (passageiros
e cargas) na Região Norte, por meio da implantação de 52 Instalações Portuárias Públicas.
Por outro lado, para a ocorrência da intermodalidade, a integração do sistema aquaviário
com o terrestre é condição necessária. É importante que seja desenvolvida rede de
instalações portuárias de navegação interior para transporte de carga considerando a
integração multimodal, para que a transferência de carga ou de passageiros possa ser
realizada. A localização adequada, a qualidade e operacionalidade dessas instalações são
fundamentais para promover o transporte hidroviário.
Com relação à Copa de 2014, a adaptação do terminal de passageiros e das infraestruturas
de acessos fluvial e terrestre do Porto de Manaus/AM será importante, pois acolherá a
demanda do turismo na região, melhorando a qualidade do atendimento ao embarque
e desembarque, e à atracação de navios, de acordo com as ações de vigilância sanitária,
alfândega e de segurança.
A interação com o setor elétrico se dá com a construção de usinas hidrelétricas nas
vias navegáveis. Apesar de em alguns casos as usinas permitirem a navegação em
trechos antes não navegáveis em função do lago formado pela represa, a hidrelétrica
pode se tornar um obstáculo para a continuidade de navegação na hidrovia. Assim, a
navegabilidade nos principais corredores hidroviários deve ser compatibilizada com a
construção de novas hidrelétricas, no sentido de prever, simultaneamente, formas de
transpor as barragens.
O desequilíbrio na participação do modo hidroviário na matriz de transportes é
preocupante, especialmente em razão do crescimento de setores exportadores como o
agronegócio e a mineração. Além de impactos significativos na redução da emissão de
gases poluentes e na redução do custo de frete, o transporte hidroviário contribui para
a redução do fluxo de caminhões nas rodovias, o que diminui os acidentes de trânsito e
possibilita menores gastos com a manutenção dos corredores rodoviários. Além disso, o
modo hidroviário exige menor aporte de recursos para implantação, viabilizando retorno
mais rápido do investimento, com menores custos de manutenção. Nesse sentido, o
PNLT propõe uma mudança de perfil para a matriz de transportes brasileira, com a
participação do modal aquaviário (incluindo o transporte hidroviário, o marítimo e a
cabotagem) sendo ampliada de 13% (em 2005) para 29% até 2025.
Uma peculiaridade do transporte hidroviário é a quantidade de atores envolvidos, cada
qual com responsabilidades distintas, resultando numa interação entre as ações de cada
agente que não é a mais eficiente. A importância de um trabalho em conjunto entre os
atores, complementando as ações uns dos outros e evitando a sobreposição de tarefas,
geraria para o setor mais agilidade e tempestividade para impulsionar o fortalecimento
do modo hidroviário.
Ainda no intuito de estruturar o planejamento, a gestão, a operação e o controle do
transporte hidroviário tornam-se necessários o desenvolvimento de estudos estruturantes,
como por exemplo: o Plano Hidroviário Estratégico (PHE); o Plano Nacional de Integração
Hidroviária (PNIH); o Programa de Incentivo a Renovação da frota de embarcações de
transporte de passageiros; e o Plano de Corredores Hidroviários. Estes instrumentos
têm como objetivo estruturar o planejamento dos corredores hidroviários visando nova
abordagem para realização dos serviços de manutenção hidroviária, além de identificar
a necessidade de implantação e ampliação de terminais de carga. Estão inclusos, dentre
os estudos, a definição das classes e do comboio tipo para as hidrovias, bem como
a determinação, por meio de indicadores econômicos, da viabilidade de se executar
investimentos de maior porte, tais como eclusas, retificações de curvas, grandes
derrocamentos, alargamento de vãos de pontes, além de identificar potenciais de
investimento para iniciativa privada.
Nesses termos, está evidenciada a necessidade de se expandir a infraestrutura logística
de transporte nacional, assegurando uma maior participação do modo aquaviário
no transporte de cargas, com vistas à redução dos custos logísticos e ao aumento
da competitividade dos produtos no mercado externo. Torna-se necessário então,
desenvolver a navegação interior nacional, garantindo navegabilidade das hidrovias,
com disponibilização à sociedade de informações necessárias a navegação, de modo
a caracterizar o transporte hidroviário, por meio de um aproveitamento eficiente dos
recursos hídricos e compatível com os demais usuários e interesses.
PPA 2012-2015 - GOVERNO FEDERAL - TRANSPORTE FERROVIÁRIO
Fundamental para o desenvolvimento logístico e para uma maior integração do território
nacional, o modal ferroviário tem como característica marcante a elevada capacidade
de carga. Além de comportar grandes volumes, o modal se destaca pela eficiência
energética, quando comparado ao transporte rodoviário. Um país com a dimensão
territorial brasileira e com grandes volumes de carga agrícolas e minerais não pode
prescindir de uma alternativa logística estratégica como as estradas de ferro.
O planejamento governamental para o setor procura promover a mudança na matriz
de transportes por meio da consolidação dos seguintes eixos estruturantes: Ferrovia
Norte-Sul, Nova Transnordestina, Integração Oeste-Leste (FIOL), Integração Centro-
Oeste (FICO), Ferronorte e Ferrovia do Pantanal, aumentando a participação do modal
de 25% da matriz de transporte de cargas no país para 35% em 2025. Para tanto, é
necessário, além das construções de novas ferrovias, adequações de trechos ferroviários
(com duplicações de linhas, mudança de geometria ou compatibilização de bitolas) e
maior ordenamento do tráfego em perímetros urbanos, visando à redução do número
de acidentes (atualmente em 15 acidentes a cada milhão de quilômetros percorridos) e
melhorando a operação ferroviária.
Outra vantagem competitiva do modal ferroviário está no custo de fretes mais baixos
no comparativo com as rodovias, mas devido à fragmentação dos trechos geridos
por diferentes operadores, não há concorrência entre eles. No intuito de aumentar a
competitividade no transporte ferroviário, está sendo proposto um novo modelo para as
concessões, visando a entrada de novos usuários e a redução no custo do frete.
A malha ferroviária nacional, em 2010, chegou a 29.785 km, sendo que grande parte
está concentrada nas regiões Sul, Sudeste e no litoral nordestino. O crescimento para
os próximos anos se dará de forma a melhorar o escoamento da produção agrícola e
mineral, ampliando o acesso aos portos, viabilizando trechos inoperantes por meio de
conexões ferroviárias e expandindo o sistema em bitola de maior capacidade, sendo que
a meta para o período do Plano é a construção de 4.546 km de vias.
O transporte ferroviário também necessita de maior integração com outros modais e
também do país com os demais países da América do Sul, fortalecendo os eixos de
integração e desenvolvimento. Em 2010, o modal movimentou 818.942 toneladas de
carga entre exportações e importações com os países sulamericanos. Objetiva-se, com
o Plano, perenizar instrumentos de análise, sob a ótica logística, para dar suporte ao
planejamento de intervenções públicas e privadas na infraestrutura e na organização
dos transportes, de modo a que o setor possa contribuir para a consecução das metas
econômicas, sociais e ambientais do país, rumo ao desenvolvimento sustentável.
Atualmente, os esforços concentram-se no transporte de cargas. Em 2010, foram
transportados 435 milhões de toneladas de cargas, com previsão de atingir 530 milhões
de toneladas em 2011. O índice Toneladas por Quilometro Útil Transportadas (TKU)
é utilizado no modal ferroviário para representar sua produtividade, que é calculada
multiplicando a carga útil transportada pela distância percorrida. De 1997 a 2010, a
produtividade ferroviária cresceu 104%, chegando a 278 bilhões de TKUs no último
ano. Aliado a esse crescimento, os empregos diretos e indiretos aumentaram 131%,
atingindo 38 mil postos.
Outro importante ponto da política é o desenvolvimento do transporte interestadual de
passageiros, que, no ano de 2010, respondeu por apenas 2% da matriz. O projeto de Trens
de Alta Velocidade (TAV) pretende promover a implantação de modernas tecnologias,
voltadas para o transporte de passageiros, de forma regular, em velocidades superiores
a 250 km/h, interligando grandes centros metropolitanos tais como o de São Paulo/
SP, Campinas/SP, Rio de Janeiro/RJ, Curitiba/PR e Belo Horizonte/MG. Além dos TAVs,
estão em andamento os projetos de Trens Regionais, que visam retomar o transporte
ferroviário de passageiros em várias regiões do país, de forma regular, promovendo a
integração e a mobilidade entre os municípios, contribuindo para o desenvolvimento
regional nos trechos onde serão implantados.
Dessa forma, os esforços oriundos das ações descritas acima, aliados à manutenção
contínua – assegurando condições permanentes de trafegabilidade, segurança e eficiência
à infraestrutura ferroviária nacional –, constituem premissa fundamental no sentido de
ampliar a capacidade de cargas e passageiros transportados e permitir a redução dos
custos logísticos de transportes no país
PPA 2012-2015 - GOVERNO FEDERAL - TRANSPORTE RODOVIÁRIO
O Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial e, apesar de possuir extensa
malha de rodovias, apresenta uma baixa densidade de cobertura viária. Os mais de 62 mil
quilômetros de vias federais pavimentadas refletem, em especial, os avanços conseguidos
principalmente na década de 70, quando o país direcionou seus investimentos para o
modal. No entanto, estes investimentos diminuíram gradativamente até seu ponto mais
baixo, em meados dos anos 90, tendo comprometido a qualidade da malha em face à
necessidade do setor e da expansão da economia nacional.
O modal rodoviário compõe o Sistema Nacional de Viação (SNV), o qual é constituído
pela infraestrutura física e operacional dos vários modos de transporte de pessoas e bens,
compreendendo os subsistemas rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário. Quanto
à jurisdição, este é composto pelo Sistema Federal de Viação e pelos sistemas de viação
dos Estados, Distrito Federal e Municípios.
O principal modo de transporte no Brasil é o rodoviário, respondendo por mais de 58%
do volume de movimentação nacional de cargas, e 48% do transporte interestadual de
passageiros.
A malha rodoviária brasileira é organizada por esfera de jurisdição (federal, estadual
e municipal), dividindo-se em estradas planejadas e implantadas. As rodovias federais
implantadas, por sua vez, se dividem em pavimentadas (62.093 km) e não-pavimentadas
(13.759 km), ou seja, 82% das vias implantadas são pavimentadas. Visto a significância
da malha, há necessidade de assegurar condições permanentes de trafegabilidade,
segurança e conforto aos usuários das rodovias federais, por meio da manutenção das
vias e da adequação e recuperação da capacidade estrutural das pontes em estado
crítico. Conjuntamente com a manutenção, pretende-se adequar a capacidade de mais
4.562 km, através de duplicação, construção de terceiras faixas e outras alterações de
geometria da via.
Em relação a adequações, deve-se tratar também da ordenação do tráfego rodoviário
de passagem nos trechos de perímetro urbano dos municípios que possuam nível de
serviço inadequado ou alto índice de acidentes, por meio de construção de contornos
ou anéis rodoviários e de travessias urbanas. Não obstante, importante primar também
pela maior segurança ao usuário e a conservação da infraestrutura rodoviária, por meio
da ampliação da fiscalização e da utilização de sistemas e equipamentos de controle dos
limites de velocidade e de pesagem contínua.
As políticas públicas para a área de transportes passaram por períodos de baixos níveis de
investimentos no setor e perda da capacidade de planejar as intervenções.
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Nesse contexto, o Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT) representa uma busca
pela retomada do planejamento nacional de transportes no país, apresentando uma visão
de médio e longo prazo. Desta forma, o objetivo do Plano é perenizar instrumentos de
análise, sob a ótica logística, para dar suporte ao planejamento de intervenções públicas
e privadas na infraestrutura e na organização dos transportes, de modo a permitir que o
setor possa contribuir para a consecução das metas econômicas, sociais e ambientais do
país, rumo ao desenvolvimento sustentado.
As projeções apresentadas no PNLT direcionam investimentos na matriz de cargas do país
de forma a induzir o aumento da participação dos demais modais, sem deixar, contudo,
de expandir o modal rodoviário, aproveitando os potenciais e as particularidades
intrínsecas de cada um. Os desafios relacionados ao tema são complexos e abrangem
todo o território nacional. Nesse sentido, buscando-se a adequação da malha rodoviária
brasileira e o desenvolvimento nacional e regional, instituiu-se o PAC, acarretando no
retorno e ampliação dos investimentos no setor, permitindo uma melhora nos índices
de qualidade da malha e a expansão de trechos integradores do território nacional.
Atualmente, 57% da malha federal pavimentada é classificada como boa ou ótima
(DNIT, 2010).
Como forma de gerir a malha rodoviária com maior volume de tráfego, sem comprometer
as condições de uso futuro e agregando serviços prestados aos usuários, as concessões
surgem como alternativa complementar para a expansão dos investimentos necessários
ao setor. O programa de concessão rodoviária para a exploração de trechos da malha
nacional, ao todo, concedeu aproximadamente 14.920km de vias, sendo 7.070 km de
trechos estaduais e 7.850 km de trechos federais. O modelo atual de concessões foi
aprimorado de forma que a modicidade tarifária e a melhoria contínua da prestação de
serviços norteiem a nova fase do programa. A mudança do modelo de concessão trouxe
uma redução da tarifa média de pedágio para R$ 4,80/100 km (ABCR/ANTT, 2011).
Em estudos, há a previsão de concessão de outros 2.234 km de vias federais, visando
ampliar a oferta da prestação de serviços aos usuários das rodovias federais, propiciando
mais segurança e qualidade no deslocamento.
Além de atender às necessidades que o transporte rodoviário possui, há também
oportunidades que devem ser buscadas em prol do país. Integrações regionais,
interestaduais e também com países vizinhos favorecem o desenvolvimento e o
atendimento dos fluxos. Melhores integrações com outros modais de transportes, como
acessos aos portos, e pontes sobre travessias fluviais que também são prioritárias para o
setor. Desta maneira, em relação à malha federal, projeta-se a expansão ou implantação
de 7.475 km das quais 4.451 km são eixos nacionais de grande relevância, 1.208 km de
rodovias fronteiriças e mais 1.816 km de rodovias de integração nacional na Região Norte
do Brasil, buscando desta forma a conexão dos Estados, a expansão do desenvolvimento
e a ligação entre os países sulamericanos.
Em síntese, a melhoria da infraestrutura rodoviária do país implica à realização
continuada de investimentos em obras de pavimentação, adequação e manutenção da
malha rodoviária brasileira, em todas as regiões e vetores logísticos, considerando-se a
particularidade de cada um, objetivando a perenidade da qualidade do estado físico das
rodovias e a integração de novas regiões ao restante do território.
Fialho apoia retomada da hidrovia do São Francisco, em audiência pública na Câmara dos Deputados
O diretor-geral da ANTAQ, Fernando Fialho, participou ontem (20) de audiência pública para discutir a viabilização da hidrovia do Rio São Francisco, na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.
Em seu pronunciamento, Fialho destacou que a retomada da hidrovia é fundamental para promover o desenvolvimento econômico da região, com geração de empregos e renda para a população local.
O diretor-geral da ANTAQ observou que a hidrovia é o meio de transporte mais eficiente para atingir o desenvolvimento sustentável, porque concilia um custo menor de frete, garantindo mais dinheiro no bolso do produtor, com preservação ambiental.
Segundo Fialho, o modal hidroviário é o que emite menos CO2 entre os modais de transportes no país, com apenas 2% do total; já o modal rodoviário emite 90%.
Além disso, “a navegabilidade dos rios requer a preservação das nascentes e das matas ciliares”, observou.
Fialho lembrou ainda que a Europa está investindo bilhões de euros na integração de bacias, buscando retirar os caminhões das estradas e reduzir a emissão de CO2 .
“A hidrovia é um grande aliado do meio ambiente”, disse, acrescentando que a troca de caminhões por barcaças no transporte de carga, nas regiões produtoras do país, pode reduzir as emissões de gases tóxicos em até 68%.
Além do diretor-geral da ANTAQ, participaram do debate o diretor de Infraestrutura Aquaviária do DNIT, Adão Magnus Marcondes Proença, o presidente interino da CODEVASF, Clementino Coelho, o engenheiro naval Joaquim Carlos Riva, e o representante do IBAMA, Eugênio Pio Costa.
Segundo o deputado Oziel Oliveira (PDT/BA), autor do requerimento da audiência pública, atualmente, o escoamento da produção de grãos do oeste da Bahia, como soja, café, milho, arroz e feijão, e do algodão (pluma e caroço), é quase todo feito por rodovia. “Daí a importância de revitalizarmos o rio e retomarmos sua navegabilidade”, salientou.
O presidente interino da CODEVASF, Clementino Coelho, por sua vez, afirmou que, quando a hidrovia do São Francisco estiver organizada operacionalmente, os impactos que ela propiciará serão muito mais efetivos que o próprio projeto de transposição do rio, porque proporcionará a circulação de riquezas na região.
Segundo Coelho, a região Nordeste é a que apresenta maior produtividade do mundo para a soja, o milho e o algodão. “Só falta viabilizar o modal mais competitivo, que é a hidrovia”, frisou.
“Hoje, prosseguiu, o milho argentino chega na região mais barato do que o que é produzido lá, porque vai de frete oceânico. Quando retomarmos a hidrovia isso vai mudar”, destacou.
Fonte: Antaq
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