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O Setorial de Transportes do PT nasceu junto com o Partido dos Trabalhadores. O objetivo sempre foi o de fomentar políticas públicas para o transporte coletivo e logística para distribuição de mercadorias. Estamos abrindo esse espaço para ampliar a discussão sobre o tema.
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Carro elétrico avança no país mesmo sem ajuda oficial



Ao final de cada dia, o gerente comercial Koji Shimomae Bara precisa de três tomadas para carregar equipamentos imprescindíveis para o seu trabalho, no dia seguinte: notebook, celular e o carro. Os dois primeiros, obviamente, não causam surpresa a mais ninguém.

Mas puxar o fio do carregador do automóvel em plena garagem de um prédio comercial na avenida Paulista sempre atrai olhares curiosos dos vizinhos.

Há seis meses o executivo trafega por São Paulo em um I-Miev, o elétrico da Mitsubishi. O carro pertence à frota da empresa onde ele trabalha. Bara não é, porém, o único a testar a novidade.

A Nissan, interessada na venda de modelos movidos a eletricidade, está promovendo uma caravana de test drives pelo país para fazer o brasileiro dirigir o seu modelo Leaf.

Um ano após o governo federal ter desistido de criar um programa de incentivo ao uso do carro elétrico, o assunto continua em debate.

Está ainda limitado a ações isoladas. A diferença é que agora, além das montadoras interessadas, começa a aparecer apoio da área acadêmica e de financiamento à pesquisa.

A discussão está longe dos gabinetes de Brasília e também da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), a entidade que representa o setor. Como se esse tipo de veículo fosse algo novo, distante do tradicional ambiente da indústria automotiva.

Não é apenas na garagem do escritório que Bara tem chamado a atenção. Pelo menos três vezes por semana ele vai com o carro elétrico até o aeroporto buscar clientes.

“As pessoas na rua dão até tchauzinho”, diz. O público sabe que se trata de um elétrico porque o fabricante faz questão de colocar um grande adesivo na lateral. Bara não tem queixas do carro, que tem autonomia de 160 quilômetros. Ele elogia as “arrancadas” e acostumou-se tanto ao silêncio que o motor do seu carro particular já o perturba. Entre as coisas que não podem faltar hoje no porta-malas: uma extensão de tomada.

Bara trabalha na divisão de comércio exterior da Mitsubishi Corporation. Embora pertença ao mesmo grupo japonês, no Brasil essa empresa não tem nada a ver com a fabricante dos veículos da marca.

O escritório onde Bara trabalha comprou o carro em razão do “compromisso de seu fundador com a questão ambiental”.

Vale a pena pagar R$ 200 mil por um compacto que nem é de luxo? As montadoras sabem que não. Por isso, não lançaram esses modelos no país.

“Faltam dois passos básicos: regulamentação de tributos e incentivos”, diz o supervisor de engenharia e planejamento da Mitsubishi montadora, Fábio Maggion.

No modelo elétrico incide a mais alta carga tributária dos automóveis vendidos no Brasil. O maior dos impostos é o IPI, de 25%, cobrado em modelos de luxo e na categoria “outros” (que abrange o elétrico). Como esses carros são feitos fora do país, há ainda o Imposto de Importação de 35%.

O Leaf, da Nissan chega por R$ 190 mil. O valor razoável para atrair demanda seria, nos cálculos da Carlos Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan, algo em torno de R$ 60 mil. Na Califórnia, graças a incentivos do governo, o Leaf é vendido por US$ 22 mil.

É consenso entre os envolvidos no tema que as cidades também precisam ser preparadas. Moreno lembra que em Paris e Londres já há vagas nas ruas com pontos de recarga. Além disso, já estão sendo feitos nesses países acordos entre as distribuidoras de energia, a exemplo do que fazem as operadores de telefonia celular quando há deslocamento de área.



A Nissan tem acordo de intenção com a Eletropaulo. “Estamos analisando leis e impacto de uma frota elétrica”, diz Moreno. Nissan e Mitsubishi têm apresentado seus modelos para autoridades em diversos Estados. E a Nissan seguirá com os test drives até maio.

Até 2010, o governo federal tinha uma comissão para o programa do carro elétrico, ligada à Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Mas o fórum não está mais ativo, informa o governo. Na Anfavea também não há nenhum grupo de trabalho com esse objetivo. Fontes do setor confirmam que não há consenso sobre o tema entre as montadoras.

Um dos mais fortes argumentos dos que não querem ver no Brasil tecnologia já disponível no Japão, EUA, Inglaterra, França, Portugal e Israel, é que o país tem o etanol como alternativa.

“É engano imaginar que o etanol seria prejudicado”, diz James Wright, coordenador do Profuturo, programa de estudos da FIA (Fundação Instituto de Administração), que analisa a viabilidade e desenvolvimento da frota de elétricos.

O programa conta com engenheiros, administradores, físicos e economistas da área acadêmica e tem apoio do CNPq. Para Wright, o elétrico serviria a um nicho de mercado, como solução para grandes centros urbanos.

“O Brasil deveria ser o primeiro a adotar essa solução porque é altamente urbanizado, com problemas de congestionamento e poluição em muitas cidades”, afirma.

Ele sugere, ainda, envolver as motocicletas elétricas, como fez a China, que proíbe motos movidas a combustão em centros urbanos.

Wright considera que um projeto assim pode ser “a oportunidade de o país criar uma indústria genuinamente brasileira”. O professor da Fia refere-se às ações já em curso para o financiamento de tecnologia para motores e baterias, peças-chave nesse tipo de veículo.

Ele sugere até adotar novas culturas de transporte, como o uso urbano de aluguel, por meio do qual o mesmo carro seria compartilhado por mais de um motorista.

Boa parte dos acordos para o financiamento à pesquisa do veículo elétrico é sigilosa. A Finep - Financiadora de Estudos e Projetos -, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, também se envolveu.

Mas seu objetivo maior é apoiar projetos para o transporte público. Segundo o secretário de energia e biocombustíveis da Finep, Laércio de Sequeira, foram feitas reuniões com consórcios de empresas de ônibus.

“Podemos começar com testes piloto. O envolvimento será imperativo diante da questão ambiental.” Mas, como ele mesmo diz, o mais difícil “será fazer o casamento do que já está acontecendo”.

Fonte: Valor Econômico, Por Marli Olmos

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Amyris fornecerá diesel renovável para ônibus em SP


A Amyris do Brasil fechou um acordo para fornecer diesel de cana-de-açúcar para 160 ônibus da Viação Santa Brígida na cidade de São Paulo.


O diesel de cana será adicionado na proporção de 10% no biodiesel fornecido pela Petrobras Distribuidora para abastecer os ônibus, de acordo com informação do diretor de combustível da Amyris do Brasil, Adilson Liebsch.

Segundo o executivo, o acordo se estenderá até o final de 2012, envolvendo um volume entre 40 a 50 mil litros de diesel de cana por mês. A Amyris não divulgou os valores envolvidos na operação, que começa em agosto. O diesel de cana que vai abastecer os ônibus será produzido na fábrica da Biomin, em uma parceria entre a empresa austríaca de nutrição animal e a Amyris, localizada em Piracicaba.

Com a produção iniciada há poucos meses, a fábrica tem atualmente capacidade de produção de 300 mil litros por mês. Liebsch afirma que acordos com outras frotas de ônibus estão sendo estudados.

“Com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, é natural que o transporte metropolitano seja uma forma ideal para a utilização de combustíveis renováveis como o diesel de cana”, disse.

Os principais fabricantes de veículos comerciais no Brasil, liderados pela Mercedes-Benz, garantiram autorização para o uso de mistura com dez por cento de diesel renovável da Amyris no Brasil.

Em 2010, a Amyris realizou testes com o diesel de cana junto com a SPTrans, a Mercedes-Benz, a Petrobras Distribuidora e a Viação Santa Brígida, confirmando que uma mistura de dez por cento do diesel da Amyris no diesel de baixo teor de enxofre da Petrobras (B5 S50) pode reduzir a opacidade da fumaça em até 40%.

No segundo trimestre de 2012 entra em operação a unidade que a Amyris está construindo em joint venture com o Grupo São Martinho, a SMA Indústria Química SA, com as obras já em andamento.

O acordo utilizará, inicialmente, 1 milhão de toneladas de cana-de-açúcar fornecidas pela Usina São Martinho para a produção de especialidade química de alto valor agregado, o farneceno, utilizado na produção de cosméticos a produtos de higiene e combustíveis.

Também entra em operação em 2012 a fábrica que está sendo construída pela Amyris e pela Usina Paraíso, que processará 1 milhão de toneladas de cana por ano para produzir especiarias químicas.

No Brasil, além da Paraíso e São Martinho, a Amyris também tem acordos com usinas da Cosan, Guarani e Bunge.

Fonte: Agência Estado

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Nissan testa sistema solar para recarregar veículos elétricos


Nova tecnologia armazena energia para abastecer 1,8 mil carros por ano. Eletricidade é gerada por 488 células solares no prédio da montadora.

A japonesa Nissan Motor já faz testes com um novo sistema de recarga de veículos elétricos que utiliza energia solar. O engenheiro chefe da companhia, Hidetoshi Kadota, mostrou nesta segunda-feira (11) como funciona o posto.

Segundo ele, a eletricidade é gerada por 488 células solares instaladas no telhado do prédio da sede da Nissan, em Yokohama. A energia é armazenada em quatro baterias de íon-lítio, a mesma que equipa o modelo Leaf.

De acordo com a Nissan, a eletricidade armazenada é suficiente para recarregar 1,8 mil unidades do modelo elétrico Leaf por ano. O desenvolvimento da tecnologia por parte da montadora japonesa é importante porque, embora o interesse é crescente em energias renováveis, como energia solar e eólica, é um grande desafio o armazenamento de eletricidade, que continua a ser caro, sem avanço na tecnologia das baterias.

Outras montadoras japonesas, como Toyota Motor Corp e a Honda Motor, estão trabalhando em projetos semelhantes, como a vinculação híbridos com energia solar, atrelados a chamadas “redes inteligentes” de energia elétrica.

Bateria não é descartada

O sistema criado pela Nissan também possibilita um novo uso para as baterias de íon-lítio, quando o carro elétrico vira “sucata”. Mesmo após anos de uso, as baterias continuam com 80% de sua capacidade.

Fonte: G1

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Usina de Itaipu desenvolve carros totalmente elétricos e silenciosos


Não precisa de vulcão, com cinzas espalhadas pela atmosfera, para saber que a qualidade do ar nas nossas cidades anda sofrível. É um aparelho que mede a qualidade do ar e que recebeu o apelido de Respiródromo. Ele já está circulando por vários pontos da cidade e vai de carona em um carro muito especial.


O carro 100% elétrico é uma das apostas do futuro. Ele não polui nada. Ele não faz barulho nenhum. É totalmente silencioso.

Na parte da frente, o carro não tem o motor convencional. É totalmente eletrônico. Na parte de trás, fica a bateria. Ele não tem escapamento, pois não solta fumaça. Para abastecer, basta ligar na tomada, de preferência 220, como a que usamos para o ar condicionado.

É na Usina de Itaipu que um grupo de engenheiros está desenvolvendo novos aproveitamentos para tanta energia. Em 2006, eles iniciaram o projeto “Veículo elétrico”. São 54 carros 100% elétricos produzidos em parceria com uma montadora brasileira.

Enquanto um carro popular gasta cerca de R$ 20 para rodar 100 quilômetros, um modelo elétrico gasta cerca de R$ 6. Mas o elétrico tem menos autonomia, faz 120 quilômetros enquanto que um carro popular faz 400 quilômetros com um tanque. O mais importante: o veículo elétrico não polui. Os outros são responsáveis por 75% das emissões dos gases que causam o efeito estufa.

O preço é o principal empecilho para que essa tecnologia esteja ao alcance de todos. Se fosse comercializado, o carro elétrico de Itaipu sairia por mais de R$ 140 mil. Agora, se a tecnologia for usada para o transporte coletivo.

“Nesse caso a viabilidade aumenta bastante porque o transporte de massa é mais sustentável quando é elétrico. Eu acho que para esse tipo de aplicação pública, eles já poderiam estar utilizando o veículo elétrico”, afirma Celso Novais, gerente do projeto “Veículo elétrico” de Itaipu.

O ônibus do futuro é híbrido, movido a energia elétrica e a etanol. A energia elétrica é o que faz as rodas girarem e o etanol carrega a bateria. Com isso, o ônibus consegue rodar até 250 quilômetros. Dentro é igual a um ônibus qualquer. A diferença é que ele aproveita muito mais energia, e é duas vezes mais eficiente com essa tecnologia.

Existe projeto de colocar alguns desses ônibus híbridos no Rio em 2014.

O respiródromo funciona assim: a poeira entra no filtro. Lá dentro, há sistema de laser que analisa as partículas. O número dá a quantidade de poluição. O índice recomendando pela Organização Mundial de Saúde é de 50 microgramas por metro cúbico.

Fonte: G1

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Petrobras não tem a ver com o elevado preço da gasolina cobrado nos postos


Nota da Petrobras sobre o assunto http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2011/04/26/preco-gasolina-litro-desde-2009/


Diante de amplo noticiário relacionado com o mercado de gasolina e etanol, a Petrobras esclarece que a última alteração no preço da gasolina em suas refinarias foi uma redução de 4,5%, em 9/6/2009.

Desde aquela data a empresa não aplicou qualquer reajuste no preço da gasolina “A” que vende para as distribuidoras, sem adição de etanol. Os recentes aumentos nos postos de abastecimento se referem ao aumento do preço do etanol anidro, que é adquirido e adicionado à gasolina pelas distribuidoras, no percentual de 25%.

Do preço que o consumidor paga nos postos, a parte da Petrobras (realização) representa cerca de 30%, ou seja, se o consumidor paga três reais pelo litro, a parte da Petrobras é de cerca de um real. Os impostos representam 41% do preço final. A parte das distribuidoras e dos revendedores (postos) é de 12% e o etanol anidro adicionado à gasolina corresponde a 18% do preço final do combustível.

Como pode ser constatado, a Petrobras vem, há 23 meses, mantendo o preço da gasolina em suas refinarias no mesmo valor, mesmo com os aumentos do barril de petróleo no mercado internacional, que já chegou a US$145, no segundo semestre de 2008, e hoje está em torno de US$120.

A Petrobras esclarece, ainda, que não tem qualquer influência em relação à volatilidade do preço do etanol que vem ocorrendo. Visando a incentivar o aumento da produção nacional de etanol, a empresa vem ingressando no setor desde 2009, por meio de sua subsidiária Petrobras Biocombustível.

Sobre a gasolina “A”, que é vendida por suas refinarias às distribuidoras, a política da Petrobras, ao longo dos últimos anos, tem como premissa não repassar para o consumidor a volatilidade dos preços internacionais do petróleo no curto prazo. A Companhia pratica ajustes quando o valor do produto no mercado internacional estaciona em determinado patamar.

Dessa forma, os preços se mantêm alinhados aos principais concorrentes mundiais no longo prazo e o consumidor brasileiro fica protegido da extrema volatilidade do mercado internacional de derivados, que reflete muitas vezes conflitos geopolíticos, fatores climáticos ou movimentos especulativos, além do balanço de oferta e demanda, com componentes sazonais que variam entre as diversas regiões produtoras.

Sobre notícias relacionadas com eventuais desabastecimentos de combustíveis a Petrobras esclarece que vem atendendo às solicitações das distribuidoras. Além de manter suas refinarias operando a plena carga para atender a demanda nacional de derivados, cujo crescimento foi de 10% em 2010 e ficou em 5% no primeiro trimestre de 2011, a Companhia tem mobilidade para importar gasolina e outros derivados em caso de necessidade ou para manter estoque de segurança, como ocorreu em 2010 e recentemente, com a importação de 1,5 milhão de barris, suficientes para atender a demanda nacional por dois a três dias.


Crise do álcool reacende debate sobre estoques

A entressafra de cana mais crítica dos últimos anos trouxe de volta o debate sobre medidas para reduzir as altas e baixas de preço do etanol.


Mais do que isso, ela resultou em mudanças na regulação desse mercado, com a decisão do governo, na semana passada, de dar ao álcool caráter de combustível e, assim, colocá-lo sob fiscalização da ANP (Agência Nacional do Petróleo).

“Isso poderá criar chances para um pleito antigo do setor, que é a criação de estoques estratégicos do etanol”, afirmou o diretor-presidente da CBAA (Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool), José Pessoa de Queiroz Bisneto.


 
Além do clima, especialistas consideram que a diferença no preço do etanol praticada entre safra e entressafra se deva também à falta de programação das vendas.


“A comercialização inteira de álcool é no mercado “spot” (à vista), o que é problema. A responsabilidade de estoques fica diluída”, disse Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro.

Apesar da ausência de um “responsável” pelos estoques, o decreto nº 238, assinado por Fernando Collor em 1991, estabelece reservas estratégicas e estoques de operação -nunca implantados.

“Quando o setor tentou fazer [estoques], os órgãos de defesa do consumidor alegaram cartel, não evoluiu”, disse Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da Unica (associação dos produtores).



                                                                                                                   
Crise do álcool reacende debate sobre estoques


A entressafra de cana mais crítica dos últimos anos trouxe de volta o debate sobre medidas para reduzir as altas e baixas de preço do etanol.

Mais do que isso, ela resultou em mudanças na regulação desse mercado, com a decisão do governo, na semana passada, de dar ao álcool caráter de combustível e, assim, colocá-lo sob fiscalização da ANP (Agência Nacional do Petróleo).

“Isso poderá criar chances para um pleito antigo do setor, que é a criação de estoques estratégicos do etanol”, afirmou o diretor-presidente da CBAA (Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool), José Pessoa de Queiroz Bisneto.

Além do clima, especialistas consideram que a diferença no preço do etanol praticada entre safra e entressafra se deva também à falta de programação das vendas.

“A comercialização inteira de álcool é no mercado “spot” (à vista), o que é problema. A responsabilidade de estoques fica diluída”, disse Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro.

Apesar da ausência de um “responsável” pelos estoques, o decreto nº 238, assinado por Fernando Collor em 1991, estabelece reservas estratégicas e estoques de operação -nunca implantados.

“Quando o setor tentou fazer [estoques], os órgãos de defesa do consumidor alegaram cartel, não evoluiu”, disse Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da Unica (associação dos produtores).

PRÓ-ÁLCOOL

Segundo Nastari, estoques só foram formados na época do Pró-Álcool, para dois meses de consumo, mas, depois de terem sido consumidos na crise de abastecimento de 1989, não foram retomados.

Mesmo com o decreto, Manoel Bertone, secretário da Bioenergia do Ministério da Agricultura, considera que a formação de estoques não cabe ao governo.

“O papel da União é disponibilizar bons instrumentos para que o setor se desenvolva e contribua para a diminuição da volatilidade dos preços”, disse, antes do anúncio das medidas.

Já os produtores afirmam que os distribuidores, responsáveis pelo abastecimento dos postos, poderiam responder pelos estoques de álcool anidro, aditivo misturado à gasolina (que o governo alterou para uma proporção entre 18% e 25%).

“Não tem como tirar da distribuidora essa responsabilidade e ficar só com o produtor”, afirma Pádua.

As distribuidoras pedem maior fiscalização sobre os produtores. “A ANP deve cobrar um compromisso dos produtores, da mesma forma como no mercado de biodiesel”, disse Alísio Vaz, presidente do Sindicom (sindicato nacional das distribuidoras).

Hoje, como as vendas ocorrem à vista, os distribuidores trabalham com curtos estoques, para abastecimento de cerca de uma semana.


TATIANA FREITAS

FOLHA DE SÃO PAULO