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O Setorial de Transportes do PT nasceu junto com o Partido dos Trabalhadores. O objetivo sempre foi o de fomentar políticas públicas para o transporte coletivo e logística para distribuição de mercadorias. Estamos abrindo esse espaço para ampliar a discussão sobre o tema.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Usina de Itaipu desenvolve carros totalmente elétricos e silenciosos


Não precisa de vulcão, com cinzas espalhadas pela atmosfera, para saber que a qualidade do ar nas nossas cidades anda sofrível. É um aparelho que mede a qualidade do ar e que recebeu o apelido de Respiródromo. Ele já está circulando por vários pontos da cidade e vai de carona em um carro muito especial.


O carro 100% elétrico é uma das apostas do futuro. Ele não polui nada. Ele não faz barulho nenhum. É totalmente silencioso.

Na parte da frente, o carro não tem o motor convencional. É totalmente eletrônico. Na parte de trás, fica a bateria. Ele não tem escapamento, pois não solta fumaça. Para abastecer, basta ligar na tomada, de preferência 220, como a que usamos para o ar condicionado.

É na Usina de Itaipu que um grupo de engenheiros está desenvolvendo novos aproveitamentos para tanta energia. Em 2006, eles iniciaram o projeto “Veículo elétrico”. São 54 carros 100% elétricos produzidos em parceria com uma montadora brasileira.

Enquanto um carro popular gasta cerca de R$ 20 para rodar 100 quilômetros, um modelo elétrico gasta cerca de R$ 6. Mas o elétrico tem menos autonomia, faz 120 quilômetros enquanto que um carro popular faz 400 quilômetros com um tanque. O mais importante: o veículo elétrico não polui. Os outros são responsáveis por 75% das emissões dos gases que causam o efeito estufa.

O preço é o principal empecilho para que essa tecnologia esteja ao alcance de todos. Se fosse comercializado, o carro elétrico de Itaipu sairia por mais de R$ 140 mil. Agora, se a tecnologia for usada para o transporte coletivo.

“Nesse caso a viabilidade aumenta bastante porque o transporte de massa é mais sustentável quando é elétrico. Eu acho que para esse tipo de aplicação pública, eles já poderiam estar utilizando o veículo elétrico”, afirma Celso Novais, gerente do projeto “Veículo elétrico” de Itaipu.

O ônibus do futuro é híbrido, movido a energia elétrica e a etanol. A energia elétrica é o que faz as rodas girarem e o etanol carrega a bateria. Com isso, o ônibus consegue rodar até 250 quilômetros. Dentro é igual a um ônibus qualquer. A diferença é que ele aproveita muito mais energia, e é duas vezes mais eficiente com essa tecnologia.

Existe projeto de colocar alguns desses ônibus híbridos no Rio em 2014.

O respiródromo funciona assim: a poeira entra no filtro. Lá dentro, há sistema de laser que analisa as partículas. O número dá a quantidade de poluição. O índice recomendando pela Organização Mundial de Saúde é de 50 microgramas por metro cúbico.

Fonte: G1

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Passeio Ciclístico

Greve da CPTM é suspensa em São Paulo


Trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) decidiram suspender a greve e voltarão ao trabalho ainda nesta quinta-feira (2). Segundo os sindicatos que representam os funcionários, os trabalhos devem ser retomados em até uma hora e meia.


A decisão foi tomada após assembleia na sede do sindicato dos ferroviários. Horas antes, o juiz Davi Furtado Meirelles, do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, havia proposto que a paralisação da categoria fosse suspensa e fosse mantido o estado de greve, com a continuidade das negociações. Nesta quinta, a greve completou dois dias, paralisando todas as 89 estações de trem da Grande São Paulo.

Uma nova assembleia dos ferroviários está prevista para acontecer no dia 10. A categoria reivindica um aumento real de 5% (além da inflação) e a companhia oferece um aumento de 3,27%.

Segundo Mário Bandeira, presidente da CPTM, 2,45 milhões de pessoas utilizam as seis linhas da CPTM diariamente. Ele afirmou nesta quinta que não foi possível acionar o Plano de Apoio entre as Empresas em Situação de Emergência (Paese), que redireciona algumas linhas de ônibus para o itinerário dos trechos do sistema afetados pela paralisação, por que o Paese só consegue atender pequenos trechos.


Metrô

Por conta da paralisação de todas as linhas nesta quinta, o movimento de passageiros no Metrô era intenso no início da noite. Metroviários também reivindicam melhorias salariais. A categoria se reunia na noite desta quinta para decidir se entre ou não em greve a partir da 0h de sexta.

Já os motoristas e cobradores de ônibus do ABC decidiram após assembleia manter a greve na região até sexta. Uma reunião de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em São Paulo terminou sem acordo entre os sindicatos patronal e dos funcionários.


Como não houve conciliação, a juíza do TRT responsável pela reunião, a desembargadora Sônia Franzine, fez uma proposta: aumento no INPC de 6,3% mais 1,5% de ganho real, que resulta em 7,8% de reajuste. Foi oferecido também ampliação do vale alimentação em 7,8%. A proposta, que está abaixo da que já havia sido apresentada –e recusada- pela categoria, será levada para a assembleia nesta sexta.

As ruas e avenidas de São Paulo eram afetadas pelas greves. Às 18h50, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrava, em toda a cidade, 165 km de lentidão. O pior ponto estava na Marginal Tietê, onde havia 19 km de filas na pista expressa, sentido Rodovia Ayrton Senna.

Greve no Metrô e CPTM



Assembleia REJEITA a PROPOSTA da empresa e SUSPENDE a GREVE. Nova ASSEMBLEIA quinta-feira, 02/06

Assembleia realizada nesta terça-feira, 31/05, rejeitou a proposta do governo e deliberou pela suspensão da greve prevista para o dia 1º de junho. O objetivo é aumentar a mobilização em busca de uma proposta melhor. Haverá nova assembleia na quinta-feira, 02/06, às 18h, no Sindicato, para avaliação de possíveis propostas. A categoria continua em ESTADO DE GREVE.


Em uma das maiores assembleias dos últimos tempos (com mais de 1.500 metroviários e quase 1.700 acompanhando a transmissão no site), a categoria dividiu-se entre a deflagração imediata da greve e a aceitação da última proposta enviada pela empresa via fax durante a assembleia (vide proposta na íntegra no site do Sindicato e no MetroClik).

O que impediu a aceitação da proposta do Metrô é que ela não apresentou uma solução para a injusta defasagem salarial entre trabalhadores que exercem a mesma função, além de não recompor o poder de compra pelo salário dos trabalhadores, propondo apenas 8% de reajuste.

Diante da divisão estabelecida na assembleia, e com o objetivo de manter uma unidade há muito tempo não vista, decidiu-se levar a discussão para além da assembleia, atingindo um conjunto maior da categoria; manter o estado de greve e as mobilizações, com uso de colete, adesivos e suspensão da colaboração.

A assembleia também deliberou pela realização de nova assembleia na quinta-feira, 02/06, 18h30, no Sindicato.

A categoria está de parabéns pela ótima campanha desenvolvida até agora! É necessário manter-se unificada pela melhora da proposta do Metrô!


Principais reivindicações dos metroviários:


• Reajuste de 10,79%, conforme IGPM, para reposição da inflação;

• Produtividade de 13,80%, conforme ICV-Dieese;

 • Reajuste de 13,90% para o VR;

• Aumento do valor da cesta básica e do VA para R$ 311,09;

• Equiparação salarial e Plano de Carreira;

• PPP para aposentadoria e plano de saúde para os aposentados;

• Não à privatização das L4 e L5;

• PR igualitária;

• Licença maternidade de seis meses;

• Anistia aos demitidos.




VEJA A ÍNTEGRA DAS PROPOSTAS DO METRÔ


Veja a íntegra das propostas enviadas pelo Metrô, e que foram rejeitadas na assembleia de 31/05. A categoria deve manter a organização e mobilização para conseguir avançar e conquistar a garantia de seus direitos! Use o colete e participe da assembleia de quinta-feira, 02/06!

" O Metrô apresenta a proposta completa encaminhada aos Sindicatos dos Metroviários e Engenheiros, com vistas ao fechamento de um Acordo Coletivo global para o período de 2011/2012:

Reajuste salarial

6,39% (IPC-FIPE) e aumento real de 1,30%, a partir de 1° de maio de 2011, totalizando 7,77% de correção total.

Vale refeição

Reajuste de 6,39% (IPC-FIPE). O valor de cada cota passa de R$ 18,40 para R$ 19,58, a partir de 1º de maio de 2011.


Vale alimentação

R$ 150,00, representando um reajuste de 50%, a partir de 1º de maio de 2011. Em 180 dias, padronização do benefício, com a substituição da Cesta de Alimentos pelo cartão Vale Alimentação.

Jornada de trabalho e intervalo intra jornada

O Metrô se compromete a elaborar proposta em conjunto com o Sindicato em 120 dias da assinatura do Acordo Coletivo 2011/2012 para apresentação e aprovação junto à Superintendência Regional do Trabalho.


Auxílio creche

Sem limite de idade para os filhos com deficiência, desde que comprovada a necessidade.

Licença Maternidade

180 dias, conforme Lei 11.770 de 9/9/2008, que instituiu o Programa Empresa Cidadã.

Auxílio transporte para empregados residentes fora da cidade de São Paulo

Elevar a base de cálculo do valor do auxílio de 6 (viagens) para até 12 (doze) viagens, desde que comprovada a necessidade. Encontra-se em estudo na Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) proposta para implantação de bilhete de serviço único para os funcionários do Metrô e CPTM.

Perfil Profissiográfico Profissional (PPP)

O Metrô se compromete juntamente com o Sindicato a buscar junto ao INSS a implantação de acordo com os critérios legais.

Participação nos Resultados

. PLR Metroviários

Uma parcela fixa de R$ 3.062,21 e uma variável de 40% do salário nominal.

. PLR Engenheiros

Uma parcela fixa, conforme faixas salariais abaixo, e uma variável de 60% do salário nominal.

• salários entre: R$ 4.905,00 a R$ 6.169,56, a parcela fixa será de R$ 2.097,33;

• salários entre: R$ 6.169,57 a R$ 6.645,60, a parcela fixa será de R$ 1.865,06;

• salários acima de: R$ 6.645,61 em diante, a parcela fixa será de R$ 1.698,66.

O Metrô garante o pagamento mínimo de R$ 3.900,00.

Plano de Carreira

Os empregados que tiveram progressão salarial defasada em relação aos empregados do mesmo cargo, decorrente do enquadramento na nova tabela salarial 2011, serão analisados e os desvios serão corrigidos até 30 de junho de 2011. Será enviado para aprovação do CODEC, em até 60 dias, estudo sobre a criação de novo cargo em substituição aos cargos atuais de:

• ajudante de manutenção civil, sendo este o início da carreira de oficial de manutenção e instalações;

• ajudante de almoxarifado, sendo este o início da carreira de oficial de logística e almoxarifado.

Quadro de ajudantes de manutenção

Promover a formação do quadro de ajudantes de manutenção remanescentes do MTO, MTR, MTS e MTV, em convênio com o SENAI, nas modalidades de Oficial Mecânico ou Oficial Eletricista, adotando medidas que permitam a capacitação paralela ao exercício das funções atuais e minimizem os deslocamentos dos empregados.

Admitidos a partir de 2009

Os empregados admitidos a partir de 2009, de um mesmo concurso, perceberão um mesmo salário, salvo situações decorrentes da avaliação de desempenho e sanções disciplinares. Os empregados admitidos em anos anteriores, o Metrô propõe analisar os casos analisados a partir de uma comissão formada pelo Metrô e Sindicato, com prazo de 90 dias para conclusão dos trabalhos.

Demais cláusulas

Ratificação da proposta de ajuste na redação das cláusulas 20ª, 21ª, 23ª, 29ª, 30ª, 38ª, 44ª, 50ª, 42.8 e 52.7 e renovação das demais cláusulas do Acordo Coletivo 2010/11.

As propostas aqui formuladas serão mantidas desde que haja aprovação pela assembleia da categoria e celebração de um acordo global."

"Metrô apresenta nova proposta de reajuste salarial

O Metrô acaba de apresentar proposta de reajuste salarial de 8%, a partir de 1º de maio.

Esta proposta será mantida desde que haja aprovação pela assembleia da categoria e celebração de um acordo global."





Em data base desde o dia 1º de março os ferroviários pleiteiam um aumento real de produtividade de 5%, Auxílio Materno Infantil e Patrimônio, Taxa de Ocupação de Imóveis, com valor do benefício corrigido pelos mesmos índices, Vale Refeição de R$ 15,63 para R$ 19,00, Plano de Cargos e Salários/Plano de Carreira, com movimentação geral de nível para tdoas as categorias a partir de 01/03/2011 e abertura para um novo PCS, corrigindo as distorções existentes e adicional de risco de vida ao pessoal de estação de 15%.




Proposta da CPTM



A proposta apresentada pela CPTM é de reajuste de 3,27%, o que corresponde a 1,75% do IPC/Fipe de janeiro e fevereiro e 1,5% de aumento real. Esse índice 1,5% equivale a 86% de ganho real com base no IPC/Fipe dos dois meses aos quais se refere o dissídio.

Cabe ressaltar que no Acordo Coletivo fechado com os sindicatos para o ano de 2010, foi definida a mudança da data-base da categoria, que a partir deste ano passou de setembro para março. A atual negociação salarial leva em consideração os índices referentes a janeiro e fevereiro de 2011.

A CPTM também reajustou o valor do vale-refeição mensal em 8,77%, passando de R$ 15,63 para R$ 17 por dia, enquanto o Auxílio Maternal acompanha o índice de 3,27% e sobe de R$ 198,39 para R$ 204,88.

Cabe ressaltar que, entre as cláusulas já aceitas pelos quatro sindicatos, estão totalmente assegurados diversos benefícios proporcionados aos empregados, como seguro de vida, cesta básica, planos de saúde médico e odontológico, além de adicional de férias.

A Companhia aguarda decisão final da Justiça para o desfecho do movimento, que só nesta quarta-feira, prejudicou cerca de 420 mil usuários, o que representa 17,5% do total de 2,4 milhões de passageiros transportados/dia útil.

A Linha 12-Safira [Brás-Calmon Viana] foi paralisada totalmente e a Linha 11-Coral, parcialmente, o que levou a Companhia a acionar o Paese, com ônibus gratuitos fazendo o percurso no trecho entre Guaianazes e Estudantes, em Mogi das Cruzes.

Além disso, durante o pico da noite, para manter os trens das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda circulando com intervalos equilibrados também foi preciso acionar o Paese, com atendimento por ônibus gratuitos nas extremidades das duas linhas.

Em razão do movimento grevista, a CPTM orienta aos usuários que retardem seus deslocamentos, na medida do possível, nos horários de pico.

CPTM - Companhia Paulista de Trens Metropolitanos


Arrecadação do Estado de São Paulo cresce mais do que a inflação


Vale ressaltar que de 2005 a 2010, a receita do Estado de São Paulo teve um salto de 126%, pulando de R$ 65,7 bilhões para R$ 149 bilhões, um crescimento de 126%, contra uma inflação no período de 35% pelo IPCA. Ou seja, a receita cresceu na margem real de 69%. De 2009 até 2010, o crescimento foi de 13%. Além disto, o governo paulista arrecadou a mais do que previa no orçamento a quantia de R$ 46,8 bilhões.

Como ocorreu nos anos anteriores, em apenas quatro meses de 2011, o governo paulista já arrecadou quase R$ 1,55 bilhão a mais que o previsto e deve encerrar o ano com algo próximo a R$ 5 bilhões acima do estimado.

Ainda o volume de recursos em caixa do governo paulista que em dezembro de 2010 chegava a R$ 26,4 bilhões cresceu e agora no final de abril de 2011 atingiu o valor de R$ 32,16 bilhões, um crescimento de R$ 5,7 bilhões (+21,6%), este índice é pelo menos duas vezes acima da inflação,acumulada no período.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Novo canal do Panamá vai mudar rotina da navegação


A expansão do Canal de Panamá, com custo estimado em US$ 5,25 bilhões, pode ser considerada um dos megaprojetos em curso no mundo. E não só pela ótica da engenharia, dado o porte da obra, que requer trabalhos simultâneos em países das Américas, Europa e Ásia. Mas sobretudo pelo potencial impacto no transporte marítimo internacional, em especial no segmento de contêineres, a partir do fim de 2014, quando, se espera, a expansão do canal esteja concluída.


O programa consiste na instalação de um terceiro jogo de eclusas, que funcionam como elevadores para navios. Hoje o Canal de Panamá - cuja extensão, entre os oceanos Atlântico e Pacífico, é de 80 quilômetros - é formado por duas linhas de navegação equipadas com eclusas. Será construída uma terceira linha com um novo conjunto de eclusas. A obra também prevê novos leitos fluviais de navegação e alargamento dos leitos existentes, além do aprofundamento do canal de navegação do chamado “Corte Culebra”, ponto mais estreito do canal, e do lago Gatún, próximo ao Atlântico.

A partir do fim de 2014, empresas de navegação poderão implantar linhas de navios de maior tonelagem para operar através do canal. Hoje o Canal de Panamá está limitado, nos contêineres, a navios de 4,6 mil TEUs (equivalente a 20 pés). Essa capacidade será multiplicada por mais de duas vezes. A Autoridade do Canal de Panamá (ACP), que administra a via, diz que a expansão permitirá a passagem de navios de até 13,6 mil TEUs, mas entre armadores há quem entenda que essa capacidade poderá ficar em cerca de 10 mil TEUs, considerando o tamanho dos navios que cruzarão pela nova linha, que poderão ter até 366 metros de comprimento e transportar, ao largo, 19 fileiras de contêineres.

Nos graneleiros, cujo limite hoje é de 60 mil toneladas, poderão passar pelo canal embarcações de até 170 mil toneladas. Navios gaseiros poderão cruzar pelo istmo do Panamá, com impactos na produção tanto do lado do Atlântico quanto do Pacífico, disse Alberto Alemán Zubieta, administrador da ACP. A mesma lógica vale, segundo ele, para embarcações de carvão, que terão a opção de transitar pelo canal com navios maiores, obtendo ganhos de eficiência.

O uso de navios maiores para atravessar o canal vai representar economias de escala, com redução de custos

Zubieta prevê que o programa de expansão mudará as regras do jogo do transporte marítimo, com influência sobre a América Latina. “O Brasil pode usar o Panamá como plataforma de distribuição de seus produtos para o Pacífico, assim como a Amazônia pode usar o canal e a infraestrutura portuária de nosso país para conectar-se ao mundo”, afirmou Zubieta.

A ACP e empresas de navegação concordam que o uso de navios maiores para atravessar o canal vai representar economias de escala, com redução de custos de transporte. Navios maiores tornam o transporte mais competitivo em grandes distâncias, disse Luiz Felipe Assis, chefe do departamento de engenharia naval da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “O tempo de trânsito entre a Costa Leste do Atlântico e a Ásia vai diminuir e, em função disso, haverá redução de custos para as companhias de navegação”, previu Si-Hyun Park, gerente de navegação da sul-coreana STX Brasil.

Michael Kristiansen, diretor sênior de operações para a América Latina da dinamarquesa Maersk Line, maior armador de contêineres do mundo, disse que a possibilidade de os armadores utilizarem navios maiores para atravessar o canal tem diversas implicações. “Os navios mais modernos, que hoje servem a rota entre a Ásia e a Costa Leste dos Estados Unidos através do Canal de Suez, provavelmente vão se mover em direção ao Canal de Panamá, com ligeira redução do tempo de trânsito.”

Em entrevista por email, Kristiansen disse que a expansão possibilitará que navios de contêineres mais modernos atendam os fluxos de comércio da Costa Oeste da América do Sul para a Costa Leste dos Estados Unidos e para a Europa. Esses serviços com navios maiores poderão acelerar a migração de carga de embarcações frigoríficas convencionais para porta-contêineres, disse Kristiansen. A Maersk tem cinco serviços pelo canal de Panamá. Em 2011, os navios da empresa devem fazer entre 475 e 500 travessias pela área.

Segundo o executivo, ao ampliar a capacidade de carga o canal pode criar demanda adicional para operações de transbordo em um porto concentrador. “Essa capacidade está amplamente disponível em vários locais do Mar do Caribe.” O Panamá quer aproveitar a expansão para transformar o país em um centro importante de transbordo de cargas e logística.

Em 2010, o sistema portuário panamenho movimentou 5,7 milhões de TEUs, número que poderá crescer com a expansão do canal. Esse volume é mais do que o dobro de contêineres movimentados no porto de Santos, no ano passado, que atingiu 2,643 milhões de TEUs, segundo a Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec).

Para Elias Gedeon, diretor-executivo do Centronave, entidade que representa as empresas de navegação no Brasil, existe a possibilidade de novo cenário para a navegação a partir da conclusão das obras do canal. Segundo ele, os navios “cape size” (acima de 80 mil toneladas) que trafegam para a Costa Leste da América do Sul via Cabo da Boa Esperança (na África do Sul) poderão chegar ao continente sul-americano pelo norte.

“Isso tende a incrementar a movimentação nos portos do Norte e Nordeste do Brasil, que terão de se preparar melhor para a nova fase de grandes navios na rota leste-oeste-leste, os chamados serviços de volta ao mundo, incluindo Ásia, Europa e América do Sul”, disse Gedeon.

A ACP não fala sobre os preços dos pedágios para atravessar o canal a partir de 2014. Zubieta diz que a ACP está sempre atenta aos preços uma vez que, dependendo onde se origina a carga, o canal enfrenta concorrentes de peso. Se a carga for originada na Ásia e se destinar ao mercado americano, por exemplo, o produto pode chegar à costa oeste dos EUA e seguir dali para a costa leste via sistema intermodal (trem e caminhão).

Hoje, para cruzar o canal, um navio de contêineres de 4,6 mil TEUs paga US$ 82 por caixa cheia, disse Zubieta. Um armador afirmou que esse valor é maior e, se forem consideradas todas as sobretaxas, a média de preço pode ficar entre US$ 125 e US$ 150 por TEU, dependendo do navio e da rota. Os navios de contêineres contribuem com cerca de 28% do trânsito do canal, mas respondem por 58% das receitas, segundo o armador.

Fonte: Valor Econômico, Por Francisco Góes