Quem sou eu
- Setorial de Transportes e Mobilidade Urbana PT-SP
- São Paulo, São Paulo, Brazil
- O Setorial de Transportes do PT nasceu junto com o Partido dos Trabalhadores. O objetivo sempre foi o de fomentar políticas públicas para o transporte coletivo e logística para distribuição de mercadorias. Estamos abrindo esse espaço para ampliar a discussão sobre o tema.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Metrô: obra prima (XIX) tucana na Chuíça
Do Conversa Afiada
Sobre a “Sowetização de São Paulo pelos tucanos”, a obra prima dos jenios número XVIII, o amigo navegante Regis Oliva fez um levantamento interessante sobre outro desastre tucano na Chuíça (*) : o transporte público:
Régis Oliva
Linhas de Metrôs no mundo:
Londres
Inauguração – 1863
Passageiros por dia – 2,7 milhões
408 km
Nova York
Inauguração – 1904
Passageiros por dia – 4,8 milhões
368 km
Tóquio
Inauguração – 1927
Passageiros por dia – 7,2 milhões
292 km
Seul
Inauguração – 1974
Passageiros por dia – 5,5 milhões
287 km
Moscou
Inauguração – 1935
Passageiros por dia – 8 milhões
278 km
Madri
Inauguração – 1919
Passageiros por dia – 1,7 milhão
243 km
Paris
Inauguração – 1900
Passageiros por dia – 3,6 milhões
212 km
Cidade do México
Inauguração – 1969
Passageiros por dia – 3,9 milhões
201 km
Chicago
Inauguração – 1892
Passageiros por dia – 500 mil
173 km
Washington
Inauguração – 1976
Passageiros por dia – 560 mil
169 km
E na Çuissa?
O metrô de São Paulo é o mais lotado do mundo. Diariamente 3,7 milhões de pessoas circulam pelos 70,6 quilômetros de extensão da malha metroviária. 17 anos de incompetência do PSDB e o pior é que o pessoal de São Paulo, ainda acha estes caras os “Jênios” da administração pública.
(*) Chuíça é o que o PiG de São Paulo quer que o resto do Brasil ache que São Paulo é: dinâmico como a economia Chinesa e com um IDH da Suíça.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Governo de SP quer terceirizar monotrilho do ABC
O governo do Estado de São Paulo abriu ontem processo para terceirizar o desenvolvimento da Linha 18-Bronze, o monotrilho do metrô que vai ligar a capital ao ABC.
A iniciativa privada tem dez dias de prazo para responder ao ‘chamamento público’ e seis meses para apresentar suas propostas.
A previsão é de que a primeira etapa da nova linha esteja em operação até 2015.
Esse ramal tem linhas de crédito aprovadas pelo governo federal, via Caixa Econômica Federal. Já em 2015, o novo modal deverá atender uma média de 295,5 mil passageiros por dia.
Mas a previsão é de que, em até 15 anos, esse número suba para 472 mil usuários diários. O orçamento estimado para a linha é de R$ 4,1 bilhões. Trata-se da primeira linha do metrô a sair da cidade de São Paulo.
A proposta é que a obra seja dividida em duas fases. Na primeira etapa, os trens vão sair da Estação Tamanduateí - ponto de interligação entre a Linha 2-Verde do Metrô com a Linha 10-Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos - e vão seguir por São Caetano do Sul, pela Avenida Guido Aliberti, antes de circular na divisa entre Santo André e São Bernardo do Campo, na Avenida Lauro Gomes.
De lá, o monotrilho continuará até o Paço Municipal de São Bernardo do Campo, pela Avenida Pereira Barreto.
Essa primeira etapa tem 14 quilômetros de extensão, com 12 paradas que serão servidas por 20 trens.
A projeção é de o intervalo entre os trens ser de menos de três minutos (168 segundos). Em 2016, quando a segunda etapa estiver concluída (até o bairro Alvarenga), o intervalo deve cair para 113 segundos e a frota, subir para 40 trens.
Ônibus
Pelo texto, publicado no Diário Oficial do Estado, o projeto também deve conter um plano para reorganização do transporte coletivo do ABC.
A área é a única da região metropolitana sem um contrato de concessão para as empresas de ônibus intermunicipais - o que existe são empresas que operam em regime de ‘permissão precária’.
O projeto do monotrilho poderá unir a operação do novo trem e dos ônibus intermunicipais em um único esquema de concessão.
A região do ABC é a única área da Grande São Paulo em que a maioria dos habitantes usa carro no lugar de transporte público nas viagens diárias para trabalho e estudo.
Fonte: O Estado de São Paulo
Tucanos: Estações de trem vão atrasar quatro anos
Vinicius Lucas
Alardeado pelo governo do Estado como uma das prioridades, o transporte por trens tem sofrido com o descaso e a má gestão dos tucanos.
Exemplo disso foi o anúncio do governo estadual de que as obras de reconstrução das estações Francisco Morato e Franco da Rocha, da linha 7-rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), serão entregues com, no mínimo, quatro anos de atraso.
As obras, anunciadas em 2009, deveriam ter ficado prontas no fim de 2010 e, agora, o cronograma de entrega passou para o final de 2014.
Corte na compra de trens
Os cortes nos investimentos em 2011 do governador Geraldo Alckmin atingiram também a compra de trens – CPTM e Metrô. As compras sofrerão queda de 56% em relação a 2010. Os valores gastos caíram de R$ 684 milhões para apenas R$ 260 milhões.
A pisada de freio nos investimentos para a CPTM em 2011 chegou a 31,4%, quando comparado ao ano anterior. Os recursos que deixaram de ser aplicados somam R$ 242 milhões.
Os dados são do SIGEO - Sistema de Acompanhamento da Execução do Orçamento. Fonte: Linha Direta - PT SP
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Paulo, Greve evidencia falhas no sistema de ônibus
A cidade de São Paulo acordou, nesta terça-feira, com uma greve de ônibus surpresa. Apesar de não ter sido anunciada pelos motoristas e cobradores, podemos considerar que a paralisação dos funcionários era uma atitude esperada, pois esse sistema de transporte público está caótico.
O atual sistema de ônibus serve mal a população. As pessoas madrugam para pegar de três a quatro ônibus para chegar ao trabalho e, em determinado dia, o ônibus não está lá. Somado a todo esse transtorno estão alguns patrões que não levam em consideração a paralisação. O resultado disso são funcionários sendo demitidos ou tendo descontadas as horas de atraso na folha de pagamento.
Ouso dizer que os ônibus da cidade de São Paulo não transportam os cidadãos, eles carregam. São veículos velhos, ruins, que não chegam no horário e que dificultam a vida da população, ao invés de melhorar. Então, eu concluo que, se está ruim para quem é “carregado” e também para quem “carrega”, o sistema tende a falir. Isso só será impedido se houver uma intervenção do poder público em busca de melhorias.
Se hoje já tivemos uma paralisação surpresa, então eu suponho que muito outros transtornos podem vir por aí. E nós, enquanto isso, ficamos esperando e cobrando que atitudes sejam tomadas.
Reforma da CPTM
Às vésperas de completar 20 anos, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) tem recordes a comemorar e grandes desafios a enfrentar. Herdeira de uma malha de 260 quilômetros de trilhos sucateada, transportava diariamente, em seu primeiro ano de funcionamento, 800 mil passageiros, recolhidos em poucas e decadentes estações e espremidos em velhas composições. Hoje, 3 milhões de moradores de 22 municípios da região metropolitana de São Paulo lotam seus trens, um movimento maior do que o de sistemas metroferroviários de cidades como Londres e Paris. Uma parte deles embarca em estações modernas e viaja em confortáveis vagões climatizados; outra é obrigada a disputar espaço em acanhadas plataformas e em velhas e barulhentas composições.
Para alcançar a meta de transformar a CPTM na operadora de trens mais moderna do Brasil, com a revitalização de toda a sua infraestrutura, será preciso mais do que novos investimentos em suas linhas, estações e trens. A construção do ferroanel metropolitano é fundamental para que a malha da companhia sirva apenas ao transporte de passageiros e, assim, consiga cumprir integralmente o seu papel na melhoria da mobilidade urbana na Grande São Paulo.
Para vencer o desafio de alcançar nas mais antigas o mesmo padrão de atendimento das novas linhas, a CPTM colocará em prática, entre 2012 e 2020, o maior plano de ampliação e modernização da sua história. Duas linhas serão construídas, com pelo menos seis paradas, e as seis linhas existentes no sistema ganharão mais dez estações. Conforme o Plano Plurianual do Governo do Estado, R$ 39,4 bilhões deverão ser investidos até 2015 para aumentar a integração entre as modalidades metroferroviárias, dar continuidade às obras já iniciadas, melhorar a eficiência do que hoje está em operação e expandir a rede. Daquele total, R$ 9,4 bilhões serão destinados à CPTM.
Nos últimos cinco anos, 105 trens foram comprados pela companhia, dos quais 62 já foram entregues. Até 2013, os outros 43 novos trens começarão a circular. Em licitação, está a aquisição de mais 55 composições. Cada uma delas, de oito carros, é equipada com sistema de monitoramento por câmeras e ar-condicionado. Novos sistemas de sinalização, controle de tráfego, telecomunicações, energia e rede aérea também receberam significativos investimentos nos últimos anos, para reduzir o intervalo entre os trens e, assim, aumentar a oferta, atingindo o almejado "padrão metrô".
Esse padrão de eficiência é necessário para uma companhia que, somente em 2011, recebeu 1 milhão a mais de passageiros por dia. A integração tarifária entre ônibus e o transporte metroferroviário é a principal causa desse boom, seguida pela queda no desemprego e o aumento do número de estações para baldeações. Até 2014, é esperado o aumento de pelo menos mais 500 mil passageiros por dia no sistema.
O esforço do governo estadual, no entanto, tem de ser complementado pela atuação da Agência Nacional de Transportes Terrestres, que precisa, de uma vez por todas, tirar do papel o ferroanel metropolitano. No início de dezembro, o diretor-geral da agência, Bernardo Figueiredo, assegurou que em janeiro o projeto do trecho norte do anel ferroviário estará pronto. Com a conclusão da obra, prevista para 2015, o transporte de carga deixará de usar a malha da CPTM, o que compromete a eficiência do transporte de passageiros. Essa é uma obra já prevista no PAC, de 2007, mas não mereceu até agora a devida atenção. O investimento estimado é de R$ 1,5 bilhão.
O anúncio é bem-vindo, mas surpreendeu alguns especialistas em transporte, que esperavam a construção do trecho sul em primeiro lugar, porque ele permitirá a circulação de cargas rumo ao Porto de Santos. O trecho norte deve melhorar a ligação do interior paulista com o Rio de Janeiro. O mais importante, porém, é que o projeto não seja fragmentado, o que faria a discussão sobre cada trecho atrasar ainda mais uma obra esperada há seis décadas.
Fonte: Estadão
Linha 17-Ouro está um ano atrasada, afirma secretário
A Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo, que irá ligar o aeroporto de Congonhas à região do Morumbi, na zona sul da cidade, está um ano atrasada.
A afirmação foi feita pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, que criticou mais uma vez a questão do licenciamento ambiental como principal entrave à execução de obras metroferroviárias na capital paulista.
Segundo Fernandes, uma das exigências para a instalação da Linha 17 é o detalhamento de todas as futuras estações – condicionante que não estava prevista na linha no monotrilho da Linha 2-Verde, que foi liberada após um ano e quatro meses de espera.
“Isso vai atrasar os projetos básicos, executivos e contratações, e muito nos preocupa”, afirmou.
Itens como a criação de ciclovias ao logo da linha, bicicletários nas estações e sinalização das vias, segundo o secretário, não deveriam estar inclusos nas exigências.
“Eu sei que são importantes, mas não entendo por que nós é que temos que construir. Muitas vezes não é a questão ambiental em si, mas os fatores agregados a ela que tomam tempo”, declarou.
O secretário também afirmou que os grupos que fazem oposição ao monotrilho – como a Associação Sociedade dos Amigos de Vila Inah (Saviah), que conseguiu uma liminar contra a obra – acabam usando os condicionantes ambientais para entrar com impedimentos contra a obra. “Virou uma luta política”.
Fonte: Revista Ferroviária
Foto: Divulgação
Desenvolvimento
Antonio Delfim Netto – FOLHA SP
Desde Adam Smith, os economistas têm se dedicado a encontrar a fórmula que revelaria a condição “suficiente” para a realização do desenvolvimento econômico. Após o término da Segunda Guerra Mundial, o progresso tem sido lento e, de fato, ainda não sabemos se a fórmula existe e se seria de aplicação universal.
Mesmo com o aperfeiçoamento das estatísticas, a construção de infindáveis modelos -muita matemática e econometria (às vezes com uma pitada de história)-, depois de dois séculos e meio na busca do graal cuidadosamente escondido (ou talvez apenas sonhado!), temos resultados práticos pífios.
Talvez tenhamos encontrado algumas condições “necessárias”, mas não muito mais do que Adam Smith já conhecia…
Trata-se do mais importante problema a ser esclarecido pela economia. Afinal, por que na longa caminhada desde o neolítico até a segunda metade do século 18 a produção per capita cresceu num ritmo extremamente baixo? Talvez uma armadilha malthusiana. E por que sofreu uma rápida transformação depois de 1750?
Porque, a partir daí, pelo menos uma economia, a britânica, foi capaz de capturar a energia dispersa em seu território (água, madeira e carvão), auto-organizar-se com instituições convenientes e dissipá-la na produção de itens e serviços consumidos por uma população crescente.
Há alguns anos, Gregory Clark (”A Farewell to Alms”, 2007) propôs uma interessante hipótese que continua gerando uma enorme literatura. A causa eficiente do desenvolvimento da Inglaterra teria sido a emergência de uma classe média, com seus valores de prudência, poupança e disposição para o trabalho.
Clark reduz o foco do desenvolvimento da “qualidade das instituições” ou, pelo menos, sugere que diferentes “instituições” podem produzir o desenvolvimento econômico.
A hipótese de Clark é compatível com a pesquisa de Acemoglu et. Al (2005) quando afirma que os ganhos do comércio exterior apropriados pelas classes médias da Holanda e da Inglaterra foram a causa eficiente do seu desenvolvimento. A contraprova desse fato foi a estagnação de Portugal e Espanha, onde os mesmos efeitos foram apropriados por uma pequena elite.
Infelizmente, não existe (e provavelmente nunca existirá) a receita que nos diga qual é a condição “suficiente” para garantir o desenvolvimento econômico.
Mas existem, sim, condições “necessárias” observadas na história e racionalizadas na economia, sem as quais ele não prosperará.
Para o Brasil, é muito bom saber que uma forte classe média é uma delas.
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