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São Paulo, São Paulo, Brazil
O Setorial de Transportes do PT nasceu junto com o Partido dos Trabalhadores. O objetivo sempre foi o de fomentar políticas públicas para o transporte coletivo e logística para distribuição de mercadorias. Estamos abrindo esse espaço para ampliar a discussão sobre o tema.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Transporte clandestino funciona perto do metrô


A poucos metros da Estação Armênia, vans e carros de passeio oferecem viagens para cidades vizinhas de SPFERNANDO GRANATO
fernando.granato@diariosp.com.br
Van clandestina pega passageiros nas proximidades da Estação Armênia do MetrôRicardo Oliveira/Diário SPVan clandestina pega passageiros nas proximidades da Estação Armênia do Metrô
Na calçada de uma pacata rua, a poucos metros da Estação Armênia do Metrô, na região central de São Paulo, funciona um miniterminal pirata de transporte clandestino. Ali, vans e carros de passeio encostam para levar passageiros para municípios vizinhos à capital como Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Poá e Ferraz de Vasconcelos. 
Os passageiros fazem fila e uma mulher, com um telefone celular, chama o carro quando a lotação está completa. Enquanto isso, outro homem fiscaliza as ruas em volta, com uma moto, para certificar de que não há fiscalização por perto. 

O movimento começa perto das 17h e vai até as 20h. Grupinhos vão se formando e carros param a todo o instante.  “Isso aqui virou um terminal pirata a céu aberto”, disse Joilson Dias, que trabalha em um depósito de materiais de construção próximo ao “ponto”.

José Martins, que utiliza os serviços mesmo sabendo da ilegalidade, afirma que essa é a única opção de transporte para onde vai, Mogi das Cruzes. “Eles trabalham de maneira correta. Sem  os clandestinos a gente não teria ônibus para viajar”, afirma. Na verdade, há serviços regulares de ônibus para Mogi na Rodoviária do Tietê, no Brás e na própria Armênia, além dos  trens da CPTM. 

A Prefeitura informou que a Secretaria Municipal de Transportes, por meio do DTP (Departamento de Transportes Públicos) e da SPTrans,  realiza constantes fiscalizações com o objetivo de coibir o transporte irregular de passageiros por veículos clandestinos. “De janeiro a abril de 2012, o trabalho de fiscalização a veículos das modalidades escolar, fretamento, táxi e lotação resultou em 35.523 fiscalizações, sendo apreendidos 336 clandestinos”, diz a nota.

O principal risco para o usuário desse tipo de transporte é a falta de segurança. Como o motorista não possui qualquer registro ou autorização pública para transportar passageiros, não é possível identificá-lo para prestar  queixas, além de colaborar com uma pessoa que está burlando o sistema. O outro problema pesa no bolso do consumidor, uma vez que o transporte clandestino não possuiu o validador do Bilhete Único, que permite a integração em até quatro ônibus pagando somente uma passagem e a integração com a rede metroferroviária. 

Vans foram legalizadas
A partir de 2003, o serviço de “lotação”, antes clandestino, passou a ser feito por cooperativas que participaram de uma  licitação  e viraram permissionárias do sistema de transporte coletivo. Agora elas atendem as linhas locais com micro-ônibus.
Para aumentar a oferta de lugares, a partir de 2008 as cooperativas  trocaram os veículos menores por mini e micro-ônibus, que têm maior capacidade de transporte. Na periferia da cidade eles fazem a ligação entre os bairros mais distantes e os terminais de ônibus.
Izabel Gabriel, que é diarista, viaja todos os dias duas horas na linha Terminal Bandeira/Terminal Varginha, na Zona Sul. Quando chega, pega um micro-ônibus, que vai deixá-la 25 minutos depois onde mora, no Jardim São Norberto.
“Se não fosse o micro-ônibus, teria de ir a pé”, disse ela, enquanto esperava uma pequena multidão entrar no veículo .

terça-feira, 7 de agosto de 2012

ANTT fixa regras para transporte rodoviário de deficientes


Procedimentos se relacionam a embarque e desembarque e atendimento.
Entre exigências está disponibilidade de cadeira de rodas.



A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou no “Diário Oficial da União” desta terça-feira (7) a resolução nº 3.871, que estabelece procedimentos que devem ser adotados pelas empresas transportadoras para assegurar condições de acessibilidade às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida na utilização dos serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros. A resolução entra em vigor 30 dias após a publicação.
De acordo com a resolução, os passageiros com deficiência ou com mobilidade reduzida têm direito a receber tratamento prioritário e diferenciado nos serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros, sem que haja cobrança de valores, tarifas ou acréscimos relacionados ao cumprimento da norma.
As prestadoras de serviço de transporte rodoviário deverão adotar as providências necessárias para assegurar instalações e serviços acessíveis; providenciar os recursos materiais e pessoal qualificado para prestar atendimento prioritário; divulgar, em local de fácil visualização, o direito a atendimento prioritário de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida; proceder à adequação de todos os sistemas de informações destinados ao atendimento de pessoas com deficiência, inclusive auditiva ou visual, garantindo-lhes condições de acessibilidade; dispor de veículos equipados com dispositivos sonoros ou visuais, facilmente identificáveis e acessíveis, em todos os assentos reservados preferencialmente a passageiros com deficiência ou com mobilidade reduzida, que permitam a sinalização de necessidade de atendimento ao condutor do veículo.
A frota total de veículos das transportadoras deverá ser fabricada ou adaptada de acordo com as normas. Até 2 de dezembro de 2014, as condições de acessibilidade para veículos utilizados exclusivamente para o serviço de fretamento serão exigidas somente daqueles fabricados a partir de 2008. Após a data estipulada, as condições de acessibilidade serão exigidas da totalidade da frota.
As transportadoras deverão atualizar o cadastro de veículos no sistema informatizado da ANTT, indicando as especificações de acessibilidade existentes e o respectivo equipamento utilizado para o embarque e desembarque, no prazo de 180 dias a contar da data de publicação da resolução.
Embarque e desembarque
As transportadoras deverão garantir o embarque e desembarque dispondo de pelo menos um dos seguintes dispositivos: passagem em nível da plataforma de embarque e desembarque do terminal (ou ponto de parada) para o salão de passageiros; dispositivo de acesso instalado no veículo, interligando-o com a plataforma; dispositivo de acesso instalado na plataforma de embarque, interligando-a ao veículo; rampa móvel colocada entre veículo e plataforma; plataforma elevatória; ou cadeira de transbordo.
Os passageiros portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida deverão ainda ter acesso aos seus equipamentos e ajuda técnica nos locais de embarque e desembarque de passageiros e em todos os pontos intermediários de parada, entre a origem e o destino das viagens.
Para o embarque ou desembarque, os veículos deverão ter piso baixo; ou piso alto com acesso realizado por plataforma de embarque/desembarque; ou piso alto equipado com plataforma elevatória veicular.
Os passageiros com deficiência ou com mobilidade reduzida deverão comparecer, por seus próprios meios de locomoção, ao local de embarque designado pela transportadora, bem como providenciar o seu deslocamento, após o desembarque.
O embarque será preferencial em relação aos demais passageiros, e no destino final, o desembarque deverá ser posterior ao dos demais passageiros, exceto os casos de passageiros com cão-guia, quando essa prioridade poderá ser invertida.
O passageiro com deficiência visual poderá ingressar e permanecer no veículo com o cão-guia, que será transportado gratuitamente, no piso do veículo, perto do portador de deficiência. O acesso do animal se dará por meio de identificação de cão-guia, carteira de vacinação atualizada e equipamentos (coleira, guia e arreio com alça), dispensado o uso de focinheira.
Informações
As transportadoras deverão informar aos passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida, quando solicitadas, por meio de dispositivo sonoro, visual e tátil, obrigatoriamente nos terminais e pontos de seção, sobre os seguintes aspectos: atendimento preferencial; aquisição e pagamento de bilhete ou de créditos de viagem; identificação de linha; categoria do veículo; itinerário; tarifa; tempo de viagem; locais de embarque e desembarque; serviços de auxílio para embarque e desembarque; locais de parada; tempo de parada; serviço de transporte de bagagens; serviço de transporte de tecnologia assistida: cadeira de rodas, muletas, andador e outros; acesso e transporte de cão-guia; e procedimentos em situações de emergência. Além disso, o nome ou marco referencial do próximo ponto de parada serão informados, simultaneamente, de forma sonora (locução) e visual (texto ou símbolo).
As transportadoras terão em todos os pontos de venda, próprios ou terceirizados, localizados ou não em terminais rodoviários, pelo menos um balcão de atendimento adequado às normas técnicas de acessibilidade.
A pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida deverá indicar eventuais necessidades de atendimento especial durante a viagem com antecedência mínima de 3 horas do horário de partida do ponto inicial do serviço. Assim, é recomendável que o passageiro se apresente com antecedência mínima de 30 minutos do horário de partida da sua viagem no local designado pela transportadora.
Caso o passageiro com deficiência ou mobilidade reduzida precise utilizar o sanitário durante a viagem, deverá comunicar à tripulação, para que, caso necessário, possa utilizar as
instalações do posto de serviços mais próximo.
Cadeiras de rodas
As transportadoras devem disponibilizar, em local de fácil acesso, cadeira de transbordo a quem utiliza cadeira de rodas nos terminais de embarque e desembarque de passageiros e em todos os pontos intermediários de parada, entre a origem e o destino das viagens. Esse equipamento deverá ser providenciado pela transportadora isoladamente ou em conjunto com as demais empresas que operem na localidade, em quantidade suficiente para atender com o devido conforto a todos os usuários. Em caso de pane do veículo, deverá haver cadeira de transbordo disponível para a transferência.
Somente poderá ser utilizada a cadeira de rodas do próprio passageiro para a realização da viagem quando o veículo possuir os equipamentos necessários que garantam a sua segurança e comodidade.
Assentos reservados
Os ônibus de características urbanas deverão ter 10% dos assentos disponíveis para uso das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, sendo garantido o mínimo de 2 assentos, preferencialmente localizados próximos à porta de acesso, identificados e sinalizados conforme normas técnicas de acessibilidade da ABNT.
Se os assentos identificados forem ocupados por passageiros com deficiência pagantes, a transportadora deverá disponibilizar outros assentos para atender ao beneficiário do Passe Livre. Os assentos reservados somente poderão ser oferecidos aos demais passageiros quando não restarem outros assentos disponíveis.
Equipamentos
Todos os equipamentos e ajuda técnica de uso dos passageiros com deficiência ou com mobilidade reduzida não serão considerados bagagem, sendo obrigatório, gratuito e prioritário o seu transporte, mesmo que excedam os limites máximos de peso e dimensões de bagagem.
Equipamentos que extrapolem as dimensões e pesos especificados em resolução da ANTT e que necessitem de cuidados especiais para o transporte devem ser informados à transportadora com antecedência mínima de 24 horas do horário de partida do ponto inicial do serviço.

Na hipótese de equipamento não ser compatível com o bagageiro, o passageiro deverá providenciar o seu transporte, arcando com as despesas decorrentes.

DIA DECISIVO PARA O CASO BUSSCAR


Busscar
Linha de Produção está em atividade na Busscar, mas com uma quantidade ainda baixa de veículos. Desde outubro do ano passado, quando foi apresentado um plano de recuperação pela empresa, cerca de 250 ônibus foram feitos. A Busscar tinha previsto para este ano, 1,8 mil carrocerias. Nesta terça-feira, Assembléia Geral de Credores pode decidir a decretação ou não da falência de uma das mais tradicionais fabricantes do setor no Brasil. Foto: RBS.
Dia decisivo para o Caso Busscar
Assembleia de credores vai determinar se encarroçadora terá ou não a falência decretada pela Justiça
ADAMO BAZANI – CBN
Esta terça-feira, dia 07 de agosto de 2012, será um dia decisivo para o caso Busscar e também para a história dos transportes no Brasil.
Será realizada no Centreventos Cau Hense, a Assembléia Geral de Credores que vai analisar o último plano de recuperação da empresa que foi uma das maiores encarroçadoras de ônibus do País.
Se os credores rejeitarem as propostas, o juiz titular da 5ª Vara Cível, Maurício Cavalazzi Povoas, pode decretar a falência da fabricante de carrocerias.
Já é a terceira versão de um plano de recuperação da Busscar.
A decisão poderia ser tomada no dia 22 de maio, data da última assembleia, que foi suspensa pelo juiz por conta do tumulto na hora da votação e da apresentação de interessados pela compra da empresa. A suspensão serviu para dar mais uma oportunidade para a companhia.
A Busscar já acumula mais de 26 meses de salários e direitos trabalhistas atrasados. A empresa que tinha cerca de 5 mil funcionários tem agora aproximadamente 900 empregados, dos quais os operários que ainda são ligados à empresa recebem semanalmente pelos serviços que fazem.
Todos os cerca de 5 mil trabalhadores, entre os que se desligaram e os atuais, têm algo a receber da Busscar, mesmo que proporcionalmente ao tempo entre quando a Busscar deixou de pagar e suas datas de desligamento da companhia.
As dívidas da Busscar ultrapassam R$ 800 milhões, entre bancos, credores e fornecedores. Se somados débitos tributários, a Busscar deve cerca de R$ 1,3 bilhão.
As projeções de produção e receita da Busscar no novo plano de recuperação, protocolado na semana passada e que será votado a partir das 15 horas desta terça-feira, são basicamente as mesmas.
A Busscar prevê para este ano uma produção de 1,8 mil carrocerias com receita de R$ 335,6 milhões.
Mas as estimativas são contestadas. Em pleno mês de agosto, a encarroçcadora produziu apenas aproximadamente 250 carrocerias desde o início da recuperação judicial em outubro do ano passado. A Busscar diz que conta com um financiamento de exportações de ônibus para a Guatemala, que o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social liberaria. Mas não há data para o plano se tornar concreto.
O que mudou no plano foi em relação ao pagamento dos débitos trabalhistas. A empresa propõe pagar parte das dívidas com ações da companhia.
A proposta não foi bem recebida pelo Sindicato dos Mecânicos de Joinville, representante dos trabalhadores.
A entidade contesta o fato de as ações não serem bem vistas e não terem valor no mercado por conta da situação da Busscar.
Além disso, a forma de pagamento das ações também não teria agradado os sindicalistas.
Inicialmente, a Busscar propunha pagar as dívidas trabalhistas em até 36 meses, o que fere a Lei de Recuperação Judicial. Agora, a Busscar apresenta a possibilidade de pagar metade das dívidas num prazo de carência de seis meses e outra metade em forma de ações. O trabalhador pode revender as ações para a Busscar. Mas com isso, deixa de haver uma relação trabalhista, que passa a ser de mercado e aí, a Busscar terá os mesmos 36 meses para pagar os valores referentes às ações.
O Sindicato dos Mecânicos deve votar contra.
Está no processo uma Proposta de Modificação e Consolidação ao Plano assinada pelas credoras RR, Prata (dos tios de Cláudio Nielson, não tendo nenhuma relação com a Expresso de Prata) , Garytrans e Icomabra.
As empresas propõem a venda da Busscar em até 120 dias. Passado este prazo a Busscar iria para leilão de acordo com estas propostas.
Os débitos com os trabalhadores seriam pagos à vista, mas seriam mantidos os descontos previstos pela proposta oficial da Busscar.
Possíveis compradores interessados pela encarroçadora não faltam. Entre eles, o grupo chinês Shandong Heavy Machinery Group.
A família Nielson, fundadora e proprietária até hoje da Busscar, não quer vender a empresa inicialmente e diz que acredita na recuperação da encarroçadora.
A Asssembleia a ser comandada pelo administrador judicial, Rainoldo Uessler, deve ser mais organizada que a de 22 de maio, porém deve durar horas.
Isso porque até a decisão final haverá várias etapas a ser seguidas.
As deliberações já foram apresentadas em maio, mas a empresa e os credores (que são muitos) terão 15 minutos cada para se pronunciarem.
Dependendo das dúvidas e sugestões dos credores, a empresa pode se manifestar de novo.
A votação será por uma espécie de urna eletrônica, com as opções SIM e NÃO. O voto SIM aprova a Proposta da Busscar e o NÃO aprova a decretação da falência.
Haverá dois telões que darão o resultado, inclusive o parcial, em tempo real.
Pela quantidade de credores, o que deve incluir centenas de trabalhadores na Assembleia, só as votações devem durar mais de quatro horas.
As dificuldades na Busscar começaram em 2008. A empresa alega que sentiu a crise econômica mundial, que teve origem nos papéis imobiliários nos Estados Unidos e provocou restrição de créditos e financiamentos em todo o mundo.
Já os críticos da Busscar afirmam que a empresa foi mal administrada e que a crise de 2008 foi reflexo de uma crise anterior, entre 2001 e 2003, da qual a empresa não teria se recuperado plenamente e por isso sentiu mais fortemente as instabilidades econômicas mundiais.
Nesta terça-feira pode ser escrito capítulo final do Caso Busscar.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Acidente fere dois e bloqueia faixa de via no Ipiranga, em SP


Duas pessoas ficaram feridas na manhã desta segunda-feira em um acidente que envolvei dois carros na rua dos Patriotas, na região do Ipiranga, na zona sul de São Paulo. Por volta das 10h30, uma faixa da via permanecia interditada na altura da rua Cipriano Barata, sentido único.
Veja as condições do trânsito em tempo real
Apesar do bloqueio na via, o maior trecho de congestionamento registrado na cidade estava na avenida Washington Luís, no sentido centro. Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), as filas estavam concentradas entre a rua Sócrates e o viaduto João Julião da Costa Aguiar.
Outras vias com trechos de lentidão no horário eram a marginal Pinheiros (sentido Interlagos), a avenida dos Bandeirantes (sentido marginal) e o corredor norte-sul (sentido aeroporto).
Em toda a cidade de São Paulo havia 58 km de congestionamento, o que corresponde a 6,7% dos 868 km de vias monitoradas. O índice estava abaixo da média do horário, que é de 9,4%. A pior região era de 26 km de lentidão.
Segundo o serviço da empresa MapLink, usado pela Folha, a cidade tinha 301 km de filas.

CAOS NAS CIDADES E FALTA DE CORAGEM DA CLASSE POLÍTICA



TRANSITO
No mundo, mais de 1,3 milhão de pessoas perdem a vida por causa da poluição, de acordo com a OMS – Organização Mundial de Saúde. Em São Paulo, segundo a Faculdade de Medicina da USP, quatro mil pessoas anualmente morrem por causa da poluição e o quadro desde 2006 tem se agravado. Paulo Saldiva, professor da Universidade, aponta os transportes coletivos como parte das soluções para este quadro, mas no caso do Brasil, ele destaca que por questões políticas e econômicas e até de falta de preparo dos gestores públicos, poucos têm coragem de privilegiar de fato os transportes públicos no espaço urbano.
Transportes não recebem investimento adequado por falta de coragem de governantes e interesses econômicos
Afirmação é do professor do instituto da Faculdade de Medicina das USP que pesquisa a poluição atmosférica, Paulo Saldiva. Enquanto em cidades como São Paulo, milhares de pessoas morrem por causa da poluição, Prefeitura não cumpre promessas e não desenvolve os transportes coletivos
ADAMO BAZANI – CBN
ISABEL HARAI – CARTA MAIOR
ANDRÉ CRISTI – CARTA MAIOR
FERNANDO GRANATO – DIÁRIO DE SÃO PAULO
Os números impressionam.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS, cerca de 1,3 milhão de pessoas morrem todos os anos no mundo por causa da poluição do ar. Só em São Paulo, considerada uma das cidades que mais sofrem pela poluição no planeta, aproximadamente 4 mil pessoas morrem por ano, de acordo com o Instituto de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP.
Coordenador de diversas pesquisas sobre o assunto, o professor do Instituto, Paulo Saldiva, alerta que o excesso de veículos de passeio nas ruas é o maior agente poluidor da capital paulista e região metropolitana.
Para ele não há outra alternativa. A cidade precisa de formuladores de políticas públicas que invistam de verdade nos transportes coletivos de maneira que a malha de ônibus, metrô e trem atenda a demanda que já existe e ainda se torne atraente para que as pessoas que usam o carro de passeio deixem seus veículos em casa.
Por causa da poluição, a expectativa de vida em São Paulo cai um ano e meio. Por outro lado, de acordo com dados da OMS, para cada 10 microgramas de poluição retiradas do ar, a expectativa de vida sobe oito meses.
A questão do transporte coletivo, portanto, é essencial para a longevidade e a qualidade de vida de acordo com os especialistas em área de saúde.
Para se ter uma idéia, relatório da UITP – União Internacional dos Transportes Públicos, entidade multilateral de abrangência mundial, revela que as grandes cidades que investiram em metrô e corredores de ônibus, conseguiram reduzir nos últimos cinco anos, a emissão de gás carbônico entre 200 mil e 900 mil toneladas na média anual.
Ou seja, cidades com mais áreas verdes, menos carros concentrados em poucos espaços e nos mesmos horários e com mais transporte público representam oportunidades de as pessoas viverem mais e melhor.
Uma constatação simples, mas um problema difícil de enfrentar. As dificuldades não são técnicas. De acordo com Paulo Saldiva, o Brasil é pioneiro mundial nos corredores de ônibus e tem condições plenas de desenvolver soluções metroferroviárias.
Mas para o médico, falta coragem de enfrentar interesses políticos e econômicos.
“Dificilmente haverá um político no Brasil, nas presentes circunstâncias, que ouse implementar políticas de favorecimento do uso das vias pelo transporte coletivo ou ciclovias em detrimento dos automóveis.”
A prova disso é justamente a cidade de São Paulo.
Desde 2006, os níveis de poluição que estavam caindo reverteram o quadro e apresentam um preocupante crescimento.
Ao mesmo tempo, contrariando as necessidades de medidas urgentes, os administradores em São Paulo parecem não colocar os transportes públicos como prioridade de ações.
A Prefeitura de São Paulo só entregou 20% dos corredores de ônibus que Gilberto Kassab prometeu.
O consultor em transporte Flaminio Fichmann diz que a prefeitura deve não deixar de lado suas responsabilidades quanto ao gerenciamento e melhoria dos serviços de ônibus.
“A Prefeitura está investindo em trilhos, o que não é da sua competência, e deixando os ônibus de lado.” Fichmann se refere ao fato de o governo municipal estar colocando recursos próprios no Metrô e em monotrilho, modais da responsabilidade do estado.
Outro especialista, Horácio Figueira, vai além ao falar na falta de prioridade do transporte coletivo sobre pneus. “O congestionamento de automóveis é inevitável, mas o de ônibus é imperdoável.”
Acompanhe abaixo as reportagens completas com Paulo Saldiva no “Carta Maior” e com os diversos especialistas no “Diário de São Paulo”
Pobres são os mais atingidos pela poluição urbana, diz médico da USP
Segundo Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP, são motivos políticos e interesses econômicos que impedem as metrópoles brasileiras de reduzirem a emissão de poluentes. “O fato de tratarmos o solo das cidades como mercadoria faz a população mais pobre migrar para áreas mais acessíveis na periferia, aumentando o tempo de permanência no tráfego”, diz.
Isabel Harari e André Cristi (CARTA MAIOR)
São Paulo – Por ano, cerca de 1,3 milhão de mortes no mundo são causadas pela poluição urbana, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Só em São Paulo morrem 4 mil por ano. Em 2004, quando o número de carros era um terço menor, estima-se que o número de mortes tenha sido 2,9 mil. Idosos, crianças, gestantes, portadores de doenças respiratórias e cardíacas crônicas e, principalmente, os mais pobres – que têm níveis maiores de exposição – são os principais atingidos.
Segundo Paulo Saldiva, médico especialista em poluição atmosférica e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), “não há impedimentos técnicos ou falta de conhecimento para que esse problema seja resolvido. No meu entendimento, temos todas as condições de resolver o problema da poluição do ar em nossas cidades em alguns anos”.
De acordo com a OMS, os elevados níveis de poluição na cidade de São Paulo são responsáveis pela redução da expectativa de vida em cerca de um ano e meio. Os três motivos que encabeçam a lista são: câncer de pulmão e vias aéreas superiores; infarto agudo do miocárdio e arritmias; e bronquite crônica e asma. Estima-se que a cada 10 microgramas de poluição retiradas do ar há um aumento de oito meses na expectativa de vida.
Em entrevista à Carta Maior, o patologista apontou para as duas causas fundamentais do problema: o caráter segregador da ocupação do solo nas metrópoles e a falta de políticas públicas que privilegiem o transporte público. Segundo Saldiva, quem mais polui são os carros, e, nas grandes cidades do Brasil, a opção pelo transporte veicular sequer traz o benefício de uma mobilidade eficiente. “A existência de um transporte coletivo rápido, eficiente e barato daria a motivação para que a população migrasse para o transporte público”, afirma.
Carta Maior – Segundo dados da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, ligada ao governo do estado de São Paulo) e do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP, os índices de poluição em São Paulo são os piores dos últimos oito anos e as doenças cardiorrespiratórias matam 20 pessoas por dia na região metropolitana. Há relação entre esses dois fatores?
Paulo Saldiva – O aumento dos casos de doenças cardíacas e respiratórias em nossas cidades tem várias causas: envelhecimento da população, sedentarismo, obesidade e também a poluição atmosférica. Nas cidades onde há grandes séries históricas de medições de poluição, como São Paulo e Rio de Janeiro, houve uma melhora contínua até cerca de 2005 e 2006. A partir desse momento, a tendência de melhora se interrompe, com evidências de piora, notadamente para partículas finas e ozônio. O mais grave é que o patamar onde estamos é reconhecidamente causador de dano à saúde.
CM – Por que a poluição piorou a partir de 2006? Foi por causa do aumento da frota de veículos?
PS – A poluição deixou de melhorar a partir de 2006, estacionando em níveis inadequados para a saúde humana. Os poluentes que ficaram acima do padrão são o ozônio e o material particulado. A razão para isso é o aumento da frota e a lentificação do trânsito, que faz que os veículos emitam mais poluentes ao estarem presos em congestionamentos. A redução da velocidade do tráfego faz que permaneçamos cada vez mais tempo em meio a corredores de tráfego, onde os níveis de poluição são substancialmente mais elevados do que a média da cidade. Em outras palavras, quanto mais tempo ficamos presos em congestionamentos intermináveis, maior será a nossa dose de poluição. O tamanho do problema pode ser resumido da seguinte forma. Aproximadamente 12% das internações respiratórias em São Paulo são atribuíveis à poluição do ar. Um em cada dez infartos do miocárdio são o produto da associação entre tráfego e poluição. Os níveis atuais de poluição do ar respondem por 4 mil mortes prematuras ao ano na cidade de São Paulo. Trata-se, portanto, de um tema de saúde pública.
CM – Quem são os principais atingidos pelo aumento da poluição?
PS – Idosos, crianças, gestantes, portadores de doenças respiratórias e cardíacas crônicas e, principalmente, os mais pobres, que têm níveis maiores de exposição.
CM – Por que os mais pobres têm níveis maiores de exposição?
PS – O fato de tratarmos o solo das cidades como mercadoria faz que as áreas centrais da cidade percam população, notadamente a mais pobre, que migra para áreas mais acessíveis na periferia, aumentando, consequentemente, o tempo de permanência no tráfego. As casas das comunidades mais carentes são também as mais permeáveis à entrada de poluentes. Finalmente, é nos pontos de ônibus, pontos de alta concentração de poluentes, que a população mais desfavorecida passa longos períodos à espera do transporte.
CM – Quais são as alternativas de políticas públicas que você sugere para diminuir a poluição?
PS – No meu entendimento, temos todas as condições de resolver o problema da poluição do ar em nossas cidades em alguns anos. Nas grandes cidades do Brasil, a poluição veicular é responsável pela grande maioria das emissões de poluentes. Mudamos o microclima urbano e poluímos o ar sem termos nem ao menos o benefício de uma mobilidade mais eficiente. A existência de um transporte coletivo rápido, eficiente e barato daria a motivação para que a população migrasse para o transporte público. Sabemos fazer metrô, construímos trens e nossos engenheiros produzem os grandes corredores de ônibus em Santiago, Bogotá e Pequim. Temos a disponibilidade de vários combustíveis mais limpos do que os que utilizamos. Não há, portanto, impedimentos técnicos nem falta de conhecimento para que resolvamos o problema. Faltam políticas públicas de médio prazo para privilegiar o transporte coletivo.
CM – Além das medidas de mobilidade, existem outras que poderiam ser tomadas em outras áreas?
PS – Aumento da cobertura vegetal – que funciona como fator de redução de poluição –, medidas de readensamento urbano nas regiões centrais das cidades e políticas de incentivo aos combustíveis menos poluentes.
CM – Se não há impedimento técnico ou de conhecimento, o impedimento é político? O que causa esse impedimento político?
PS – Dificilmente haverá um político no Brasil, nas presentes circunstâncias, que ouse implementar políticas de favorecimento do uso das vias pelo transporte coletivo ou ciclovias em detrimento dos automóveis. Também creio ser muito pouco provável que encontremos condições para combater a política atual de uso e ocupação do solo urbano, dado o estado de descrédito em que as principais forças políticas de nosso país se encontram. Por exemplo, a maior parte da população irá preferir pagar um pedágio urbano “indireto” – pagar estacionamentos particulares nos locais de trabalho ou perder horas de sono por causa dos congestionamentos – a pagar uma taxa para a melhoria do transporte coletivo. É uma situação que mistura uma crise de gestão política, interesses econômicos e falta de lideranças confiáveis.
CM – Como o modo de vida nas grandes cidades pode afetar a saúde, além da poluição?
PS – O fator mais significativo é o estresse social. O conjunto de falta de mobilidade, ruído excessivo, sedentarismo veicular e violência faz que a incidência de doenças mentais e afetivas seja muito mais frequente nas cidades. Outro exemplo é a obesidade, produto do modo de vida que resulta da maneira como organizamos a cidade. Por exemplo, uma criança hoje não tem acesso ao espaço público por razões de violência. Nesse cenário, o jogo de futebol é no console eletrônico do Fifa 2012 e não na rua.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20651&boletim_id=1309&componente_id=21450
Isabel Harari e André Cristi (CARTA MAIOR)
DIÁRIO DE OLHO NO TRANSPORTE PÚBLICO
FERNANDO GRANATO – DIÁRIO DE SÃO PAULO
Oito horas da manhã e os ônibus disputam espaço com carros e caminhões na Estrada do Campo Limpo, na Zona Sul da cidade. Os semáforos abrem e fecham e os veículos avançam poucos metros.
Essa cena corriqueira não se repetiria todos os dias se a Prefeitura tivesse cumprido sua meta de implantar 66 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus, inclusive nessa via.
Apenas 12 quilômetros, menos de 20% da meta, foram concluídos desde 2006 e a cidade tem hoje apenas 0,73% de suas vias com corredores.
São Paulo tem uma frota de 15 mil ônibus, que cobrem 1.342 linhas de Norte a Sul e Leste a Oeste. Para traçar um raio-X desse serviço, às vésperas das eleições, o DIÁRIO inicia hoje uma série de reportagens, na qual percorreu a linha campeã de reclamações, a melhor avaliada pelos usuários e o maior corredor exclusivo. Testou os avanços tecnológicos que estão disponíveis e flagrou esquemas clandestinos de transportes. Ouviu ainda especialistas, que apontaram problemas e soluções para o transporte público na maior cidade da América Latina.
“Essa atual administração não deu continuidade ao plano de investimentos em transporte público que vinha sendo implantado há dez anos”, afirmou Flamínio Fichmann, consultor de transportes.
“A Prefeitura está investindo em trilhos, o que não é da sua competência, e deixando os ônibus de lado.” Fichmann se refere ao fato de o governo municipal estar colocando recursos próprios no Metrô e em monotrilho, modais da responsabilidade do estado.
Outro especialista, Horácio Figueira, vai além ao falar na falta de prioridade do transporte coletivo sobre pneus. “O congestionamento de automóveis é inevitável, mas o de ônibus é imperdoável.”
Ambos defendem medidas já adotadas em outras cidades, como Curitiba, no Paraná, para dar maior fluidez ao tráfego de coletivos. Uma delas é um sistema nos semáforos que detecta a presença do ônibus e aumenta o tempo em verde enquanto diminui o de vermelho para eles passarem. “Essa medida adotada em Londres, na Inglaterra, em 1977, diminui o tempo do percurso em 30%”, disse Figueira.
Outra ação, ainda mais simples, segundo o consultor, é permitir que ônibus façam ultrapassagens nos corredores, utilizando as faixas destinadas aos carros, como é permitido no caso dos táxis. “Às vezes, um ônibus estaciona para descer um idoso e fica três minutos parado, formando uma fila atrás dele”, afirmou Figueira.
“Permitir a ultrapassagem seria péssimo para os carros, mas ótimo para os coletivos. É isso o que importa quando pensamos no sistema de transportes de uma cidade.”
O objetivo dessas medidas é aumentar a velocidade média nos principais corredores da cidade, que em horários de pico chega a ser a mesma de um pedestre, de acordo com o monitoramento realizado.
Nem metade das metas de mobilidade foi cumprida
A Prefeitura não cumpriu nem a metade das promessas de mobilidade urbana previstas no plano de metas Agenda 2012.
Entre elas estava a requalificação de dez terminais urbanos. Apenas dois foram concluídos: o Terminal Cidade Tiradentes, na Zona Leste, e o Terminal Jardim Ângela, na Zona Sul. Outra meta previa a requalificação de 38 quilômetros de corredores exclusivos. Apenas o Corredor Rebouças, de dez quilômetros, recebeu reparos.
Também na Agenda 2012 aparece a construção de nove terminais urbanos. Apenas um, o Campo Limpo, na Zona Sul, foi entregue. O programa de metas previa ainda a conclusão do corredor Expresso Tiradentes e a revitalização de 46% dos abrigos de pontos de ônibus. Nenhuma dessas metas foi concluída.
A Prefeitura disse que lançou licitação em abril passado para a construção de novos corredores de ônibus. No total, serão 68,5 quilômetros de vias exclusivas para o transporte público. A previsão de investimento é de R$ 2 bilhões. “Como o sistema de transportes da cidade de São Paulo deve operar de forma integrada entre os modais de pneus e trilhos, a Prefeitura já aplicou R$ 1 bilhão na expansão da rede de Metrô.” Além disso, a Secretaria Municipal de Transportes vai implantar mais de 130 quilômetros de corredores de ônibus à direita das vias e faixas exclusivas.
Adamo Bazani – CBN
Isabel Harari – Carta Maior
André Cristi – Carta Maior
Fernando Granato – Diário de São Paulo