Com a definição de novas regras para operação das linhas férreas, surgirá a possibilidade de se expandir o transporte de pessoas
Matéria publicada em 2010 no IG
Linha férrea de transporte de passageiros entre Vitória e Belo Horizonte, operada pela Vale
O governo federal vai definir no próximo ano as normas necessárias para que sejam instituídas no Brasil redes de transportes de passageiros. Na sexta-feira, um pacote de medidas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) foi colocado em consulta pública e, quando aprovado, será o passo inicial para um ambiente mais competitivo nas ferrovias. Embora o foco principal das medidas tenha sido o transporte de cargas, elas abrem possibilidades para a expansão das operações com passageiros, que posteriormente também vão ganhar novas regras.
Entre as normas colocadas em consulta na sexta-feira, uma evita que as empresas detentoras das concessões neguem que outra empresa circule com seus vagões nas suas linhas. Além disso, a agência passará a permitir a criação de empresas que operem unicamente com vagões próprios em redes de outras companhias, explica Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT. Ficará mais viável, por exemplo, para uma empresa oferecer transporte de pessoas, sem ter de investir em novos trilhos.
As linhas construídas recentemente no país, ou ainda em obras, têm estrutura que permite tanto a circulação de trens de carga quanto a circulação de trens com pessoas. Segundo técnicos ferroviários, enquanto um trem viaja a velocidade de 80 quilômetros por hora (km/h) carregado de carga nessas ferrovias novas, de bitola larga, será possível que trens de passageiros façam viagens a até 200 km/h.
Estão entre as linhas construídas com capacidade de abrigar vagões de passageiros as ferrovias Norte Sul, Oeste-Leste (Fiol), a Centro-Oeste (Fico), Nova Transnordestina e todas as demais inseridas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no PAC2.
No PAC 1 e no PAC 2, são mais de 10 mil km de ferrovias em construção, que poderão se somar aos 28 mil km já instalados no país. Porém, dos 28 mil km de linhas férreas que o Brasil possui hoje, apenas cerca de 10 mil km têm aproveitamento razoável – com mais de um trem passando por dia – e dos 18 mil restantes, praticamente a metade não é utilizada hoje, segundo Figueiredo.
Mas as regras novas apresentadas na sexta-feira buscam, principalmente, elevar o uso da malha já existente. A meta inicial é aumentar esse uso pelo transporte de cargas, mas, em 2011, serão debatidos estímulos para o transporte de passageiros. Segundo Figueiredo, as concessionárias não poderão negar a operadores interessados em transportar passageiros o uso da infraestrutura existente.
Encerradas as obras do PAC 2 e com os trens de passageiros em operação, poderá ser possível por exemplo, viajar de Lucas do Rio Verde (MT) até o porto de Itaqui, no litoral do Maranhão. Ou de Anápolis (GO) até o porto de Suape, que fica perto do Recife (PE).
A ANTT deverá discutir a partir de 2011 novas regras para prever padrões de qualidade mínimos e regular as tarifas de operação dessas companhias que oferecerão transporte de pessoas.
Uma linha que pode ser construída exclusivamente para passageiros no futuro próximo é o ramal entre Goiânia (GO) e Brasília (DF), que também se conectaria à ferrovia Norte Sul. O projeto ganhou apoio recente de parlamentares e do governador eleito do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.
Só a Vale transporta passageiros hoje
Hoje, a única empresa a transportar passageiros regularmente no país - exceto trens turísticos - é a Vale, nas linhas da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), entre Vitória (ES) e Belo Horizonte (MG), e na linha que liga a mina de Carajás ao litoral maranhense.
Na EFVM, a Vale transporta cerca de 1,3 milhão de passageiros por ano, tendo a linha 106 anos desde construída e 905 quilômetros de extensão. A ferrovia é exemplo de linha que opera tanto cargas quanto passageiros, com estações e terminaiis para ambos os perfis.
Uma pesquisa realizada pela Vale entre os passageiros da EFVM no mês passado revelou que 70% deles andam no trem por turismo, 15% por motivos profissionais e 10% por motivos de saúde, para se tratar em outra cidade, por exemplo. Mais de um terço dos usuários prefere o trem a outros meios de transporte por conta do preço das passagens, abaixo das demais alternativas. Segurança e conforto são outros fatores que mais pesam na escolha do trem.
Trens turísticos também têm projeto
O Brasil tem também em curso um projeto para revitalização de trens turísticos e culturais. Instituído em fevereiro. Hoje, existem 20 trens destinados ao turismo no país, operando em oito Estados. Entre 2004 e 2009, o Ministério do Turismo investiu R$ 17 milhões em projetos de turismo ferroviário.
Entre as linhas turísticas existentes no país estão a ferrovia Centro-Atlântica (MG), o trem do Pantanal, no Mato Grosso do Sul, e a ferrovia que liga Ouro Preto a Mariana (MG). O governo federal possui hoje um Grupo de Trabalho de Turismo Ferroviário, que envolve Ministério dos Transportes, Ministério do Turismo e suas autarquias.
Quem sou eu
- Setorial de Transportes e Mobilidade Urbana PT-SP
- São Paulo, São Paulo, Brazil
- O Setorial de Transportes do PT nasceu junto com o Partido dos Trabalhadores. O objetivo sempre foi o de fomentar políticas públicas para o transporte coletivo e logística para distribuição de mercadorias. Estamos abrindo esse espaço para ampliar a discussão sobre o tema.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Até Warren Buffett quer ganhar dinheiro com trens
Empresa do maior investidor do mundo comprou em 2010 uma ferrovia por R$ 43 bilhões - e considerou a aquisição o ponto alto do ano
Há investidores que, ao saberem nada ou quase nada sobre uma empresa ou um setor, voltam-se a Warren Buffett. À frente da empresa de investimentos Berkshire Hathaway, Buffett, de 80 anos, é o maior investidor do mundo – e um dos maiores bilionários do planeta. Pois Buffett, o grande oráculo das bolsas de valores, agora diz que as centenárias linhas férreas são, quem diria, um bom negócio.
Na carta anual a seus acionistas, distribuída há duas semanas, a Berkshire Hathaway fez louvas à sua compra no segmento ferroviário. “O ponto alto de 2010 foi nossa aquisição da Burlington Northern Santa Fe, uma compra que está funcionando até melhor do que eu esperava”, diz o texto, no qual Buffett se apresenta na primeira pessoa. “Controlar essa ferrovia aumentará o poder de ganho ‘normal’ da Berkshire em cerca de 40% antes dos impostos e em mais de 30% depois dos impostos”.
Warren Buffett e sua Berkshire Hathaway são notoriamente avessos a empresas de internet e tecnologia. No fim da década de 1990, o investidor começou a ser tachado de ultrapassado por não embarcar na crescente onda de investimentos e ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) de empresas da então chamada nova economia. Em 2000, a onda se confirmou como uma bolha. A bolha estourou, e Buffett, o ultrapassado, voltou a ser o visionário - e isso prestes de completar 70 anos.
Trem, sim; Facebook, não
No portfólio da Berkshire Hathaway estão empresas da economia tradicional, como American Express, Coca-Cola, Johnson & Johnson e General Electric. (Warren Buffett não foi visto, esbaforido, regateando um naco do aporte de recursos promovido pelo Facebook em janeiro). Investir em uma companhia de transporte ferroviário - setor cuja tecnologia está em uso disseminado desde o século XIX -, portanto, faz todo o sentido nesse contexto.
Houve quem considerasse a compra conservadora demais até para Buffett. Pois não só o grande investidor, farol para milhares de aplicadores mundo afora, entrou de cabeça no negócio como o fez de maneira inédita: o desembolso na BNSF foi o maior da história da Berkshire Hathaway. Antes disso, em 1998, a empresa de investimentos tinha aplicado US$16 bilhões na compra de ações da resseguradora General Re.
"Basicamente, eu acredito que este país vai se recuperar. Assim, haverá mais pessoas transportando mercadorias nos próximos 10, 20 ou 30 anos", disse Buffett à rede CNBC no fim de 2009, quando foi firmado o primeiro acordo para a aquisição. "As ferrovias vão se beneficiar disso". Dito assim, até parece fácil.
Fonte: Acesse
Há investidores que, ao saberem nada ou quase nada sobre uma empresa ou um setor, voltam-se a Warren Buffett. À frente da empresa de investimentos Berkshire Hathaway, Buffett, de 80 anos, é o maior investidor do mundo – e um dos maiores bilionários do planeta. Pois Buffett, o grande oráculo das bolsas de valores, agora diz que as centenárias linhas férreas são, quem diria, um bom negócio.
Na carta anual a seus acionistas, distribuída há duas semanas, a Berkshire Hathaway fez louvas à sua compra no segmento ferroviário. “O ponto alto de 2010 foi nossa aquisição da Burlington Northern Santa Fe, uma compra que está funcionando até melhor do que eu esperava”, diz o texto, no qual Buffett se apresenta na primeira pessoa. “Controlar essa ferrovia aumentará o poder de ganho ‘normal’ da Berkshire em cerca de 40% antes dos impostos e em mais de 30% depois dos impostos”.
Não foi uma aquisição qualquer, decidida apenas para engordar o portfólio. A Berkshire Hathaway gastou US$ 26,5 bilhões (em torno de R$ 43 bilhões em valores atuais) para ficar com a fatia de 77,4% da Burlington (também conhecida pela sigla BNSF) que ela ainda não controlava. Buffett justificou seu entusiasmo com a transação ao dizer que o setor de logística tende a crescer com a recuperação da economia dos Estados Unidos - e porque, nesse cenário, as estradas de ferro têm vantagens competitivas em relação ao transporte feito por caminhão: não apenas o modal ferroviário tem custo maior como leva desvantagem na questão ambiental em virtude da poluição dos motores a diesel.
Warren Buffett e sua Berkshire Hathaway são notoriamente avessos a empresas de internet e tecnologia. No fim da década de 1990, o investidor começou a ser tachado de ultrapassado por não embarcar na crescente onda de investimentos e ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) de empresas da então chamada nova economia. Em 2000, a onda se confirmou como uma bolha. A bolha estourou, e Buffett, o ultrapassado, voltou a ser o visionário - e isso prestes de completar 70 anos.
Trem, sim; Facebook, não
No portfólio da Berkshire Hathaway estão empresas da economia tradicional, como American Express, Coca-Cola, Johnson & Johnson e General Electric. (Warren Buffett não foi visto, esbaforido, regateando um naco do aporte de recursos promovido pelo Facebook em janeiro). Investir em uma companhia de transporte ferroviário - setor cuja tecnologia está em uso disseminado desde o século XIX -, portanto, faz todo o sentido nesse contexto.
Houve quem considerasse a compra conservadora demais até para Buffett. Pois não só o grande investidor, farol para milhares de aplicadores mundo afora, entrou de cabeça no negócio como o fez de maneira inédita: o desembolso na BNSF foi o maior da história da Berkshire Hathaway. Antes disso, em 1998, a empresa de investimentos tinha aplicado US$16 bilhões na compra de ações da resseguradora General Re.
"Basicamente, eu acredito que este país vai se recuperar. Assim, haverá mais pessoas transportando mercadorias nos próximos 10, 20 ou 30 anos", disse Buffett à rede CNBC no fim de 2009, quando foi firmado o primeiro acordo para a aquisição. "As ferrovias vão se beneficiar disso". Dito assim, até parece fácil.
Fonte: Acesse
sexta-feira, 4 de março de 2011
TRANSPORTES : Síntese geral e considerações a respeito do trecho norte do Rodoanel
Evaristo Almeida – Coordenador do Setorial de Transportes e Mobilidade Urbana do PT
O transporte público em São Paulo está um caos. A mobilidade urbana está comprometida, mais de 150 quilômetros de congestionamento que atormenta motoristas e passageiros. Isso em função da paralisia que assola a administração municipal desde 2005, que não construiu os corredores de ônibus e terminais, não renovou a frota de ônibus, não terminou o Interligado e cobra a tarifa mais cara do país.
No plano estadual falta uma política sistêmica de transportes e há lerdeza na gestão da área. Em 16 anos terminaram só um corredor de ônibus no Estado e fizeram outro pela metade. Os ônibus da EMTU apresentam as tarifas mais caras do sistema. O pedágio caro prejudica os usuários das rodovias paulistas. O Metrô nesse tempo avançou pouco, apenas 1,6 quilômetro ao ano em média. Dessa forma, a rede metroviária paulista tem apenas 69 quilômetros, enquanto deveria estar na casa de pelo menos 200, para atender uma megalópole, como São Paulo. Na gestão passada do governador Alckmin, em média, foram pouco mais de 500 metros de crescimento ao ano. Por causa disso temos a linha mais lotada do mundo, a 3-Vermelha, e o sistema como um todo está insuportável. A linha 4 – Amarela, prometida para 2006 está atrasada cinco anos. A 5 – Lilás, está do jeito que foi inaugurada desde 2002, não avançou um milímetro. Na CPTM, a modernização anda à passos de tartaruga.
Iniciado um novo governo tucano, o que vemos é a paralisação de obras, como da Jacu-Pêssego e novas promessas. O Plano Expansão 2007-2010, mal saiu do papel. Obras como o VLT de Santos, inauguração de estações da linha 5 – Lilás, entre outras, não foram feitas.
Além das promessas não realizadas e da gestão lerda, a carestia das obras, é uma marca do governo estadual. O quilômetro do Metrô, segundo o ex-secretário estadual, custa R$ 400 milhões, ou US$ 230 milhões. O Rodoanel trecho sul foi orçado inicialmente em R$ 2,9 bilhões e custou R$ 5 bilhões.
A questão da Zona Norte
A Zona Norte da capital paulista, assim como em toda a capital é mal servida por transporte público de qualidade. A linha 1 – Azul do Metrô, que faz a ligação Jabaquara-Tucuruvi, está saturada e precisa ser modernizada, pois foi a primeira inaugurada em São Paulo em 1974. Essa linha transporta diariamente mais de 1,4 milhão de passageiros.
No outro extremo temos a linha 7 – Coral da CPTM, que faz a ligação Luz- Morato-Jundiaí e transporta 386 mil pessoas. O processo de modernização dessa linha é muito lento e o trem está superando o aceitável que são seis passageiros por metro quadrado nos horários de pico.
O governo prometeu iniciar em 2010 a construção da linha 6 – Laranja, ligando Brasilândia a São Joaquim, com inauguração em 2014. A obra não tem nem projeto básico, e foi anunciado recentemente que essa linha terá início em 2013, para funcionar em 2017. Também foi dito que a linha será estendida até Pirituba a norte e Anália Franco a leste. Foi anunciada uma linha de monotrilho, a 16 – Prata, ligando a Cachoeirinha à Lapa, pela Avenida Inajar de Souza. Essa linha é apenas um traçado atualmente, não há projeto básico nem recursos provisionados no orçamento público estadual para ela.
Rodoanel
O Rodoanel é uma rodovia fechada, projetada na década de 1970, para interligar as 10 principais rodovias paulistas. Quando pronto terá uma extensão de 176 quilômetros ao redor da capital. Já devia estar pronto, mas a gestão do governo do Estado não foi capaz de construí-lo para desafogar o trânsito em São Paulo.
A importância do Rodoanel é retirar a carga de passagem do interior da capital. Essa carga é aquela que se origina em outro local e cujo destino não é a cidade de São Paulo. Na capital são sete rodovias estaduais, a Raposo Tavares, Castello Branco, Anhanguera, Bandeirantes, Ayrton Senna, Imigrantes e Anchieta e três federais, Régis Bittencourt, Dutra e Fernão Dias, que agregam o maior tráfego de caminhões do país, ligando o sul, centro-oeste, com o sudeste e nordeste do Brasil.
A construção do Rodoanel oeste com 32 quilômetros de extensão, teve início em 1998, com previsão inaugurar no ano 2000, mas se estendeu até 2002. Esse trecho liga a rodovia Bandeirantes à Régis Bittencourt. O trecho sul com 57 quilômetros, só foi inaugurado parcialmente, pois as obras ainda estão inacabadas, em 2010. Ele liga a Régis Bittencourt à Anchieta. O trecho leste, que ligará a Rodovia Anchieta à Dutra, será construído pela empresa que ganhou a concessão de cobrança de pedágio no trecho sul e terá 43,5 quilômetros. O último trecho é o Norte, que fará a ligação da Rodovia Dutra, passando pela Avenida Inajar de Souza e Raimundo Pereira Magalhães, com a Rodovia Bandeirantes e fechando o anel.
Rodoanel Norte
O trecho Norte terá 44 quilômetros de extensão (20 em São Paulo, 22 em Guarulhos e 2 de acessos), custando mais de R$ 5 bilhões. Assim como foi no trecho Sul ele é o mais emblemático na questão ambiental e social.
Nesse trecho, segundo o EIA- Rima do Dersa, serão quase três mil famílias que terão seus imóveis desapropriados para a passagem da rodovia, sendo a maioria na capital paulista. Esses números são contestados pelos moradores dos bairros afetados, que afirmam que os números estão subestimados e a população a ser removida é maior do que a anunciada.
No quesito ambiental, o Rodoanel passa por uma das últimas reminiscências de mata Atlântica da capital na Serra da Cantareira que também é um importante centro de abastecimento de água. O Parque da Cantareira tem flora e fauna ameaçadas de extinção. Segundo o EIA-Rima apresentado pelo Dersa, na parte de superfície a rodovia vai margear a Serra da Cantareira e o trecho de serra será feito por túneis com 90 metros de profundidade, que não afetarão o meio ambiente.
O projeto inicial do Rodoanel era passar ao norte da Serra Cantareira; mas uma parte expressiva dos ambientalistas foram contra, pois iria,segundo eles acelerar o processo de ocupação da Serra. Esse traçado não traria impactos sociais, pois não existiria desapropriação na capital.
O traçado apresentado traz a rodovia ao sul da Cantareira em área povoada e mais próxima da capital. Esse traçado também servirá para aliviar a Marginal Tietê, por onde passam mais de um milhão de veículos por dia e se encontra totalmente congestionada. A ligação entre o Rodoanel e a Marginal Tietê será feita pela Avenida Raimundo Pereira de Magalhães a noroeste e pela Inajar de Souza a nordeste. Esses acessos quebra a idéia inicial do Rodoanel, que teria ligação apenas a rodovias.
Uma obra desse porte tem efeitos colaterais sobre a comunidade atingida;
a) Desapropriações que quebra laços sociais e afetivos na área onde as pessoas moram;
b) Aumento da poluição sonora e ambiental para os moradores que nãos serão desalojados;
c) Ocupação de 98 hectares de área para a obra, sendo 44 quilômetros de extensão com mais de 40 metros de largura ,que serão impermeabilizados, piorando os efeitos das enchentes em São Paulo. Serão 1.760.000 metros quadrados de área concretada, o equivalente a 213 estádios de futebol;
d) Aumento da poluição próxima à Serra da Cantareira, que trará efeitos ainda não mensurados sobre a fauna e flora local;
e) Aumento do tráfego local, pois a Avenida Raimundo Pereira Magalhães e a Avenida Inajar de Souza já se encontram saturadas de veículos
A sociedade local se posiciona contra a obra e tem participado ativamente das audiências públicas realizadas, sendo que a última foi em Parada de Taipas.
É muito difícil esse anel rodoviário não ser fechado, ficando no formato ferradura, mas algumas sugestões de mitigação social e ambiental se fazem necessárias;
a) O governo do Estado formar uma Comissão com moradores, parlamentares e representantes do Estado, para uma negociação a respeito da obra;
b) Repensar o traçado, priorizando túneis e viadutos para minimizar os impactos sociais e ambientais, como foi feito na Rodovia Imigrantes;
c) O governo estadual apresentar um plano de realocação da população atingida, onde conste quantas moradias serão construídas, local e data de mudança;
d) Carta de crédito, que remunere de forma correta os imóveis, para quem quiser comprar em outro local;
e) Apresentação de um estudo mais detalhado do efeito da poluição na Serra da Cantareira;
f) Apresentação de um plano do entorno local, pois a Avenida Raimundo Pereira Magalhães que se encontra em péssima condição e a Inajar de Souza, ficarão mais saturadas do que são com o trânsito desviado da Marginal Tietê para essas vias locais. É preciso readequá-las assim como a Avenida Elísio Teixeira Leite, a Avenida Deputado Cantídio Sampaio, a Avenida Imirim, a Itaberaba e a Engenheiro Caetano Álvares, para absorver o aumento do trânsito gerado pelo Rodoanel;
g) Compensação social, com construção de praças, parque, áreas de lazer e readequação urbanística do entorno da obra;
h) Plantio dos 500 hectares concomitantemente à construção da rodovia, na zona norte;
i) Melhoria do transporte público, com construção de corredores de ônibus e de Metrô na região, além da melhoria da linha 7 – Coral da CPTM, da 1- Azul do Metrô;
j) Posição do governo sobre o pedagiamento do Rodoanel;
k) Apresentação de um plano do governo estadual para utilização do transporte ferroviário e hidroviário de cargas no Estado, visto que 93% do transporte estadual é feito por rodovia, para não ser preciso a construção de mais rodoaneis, como em Chicago, que tem cinco e todos congestionados;
l) Compromisso de mudança do paradigma estadual de incentivar o transporte privado para o coletivo, com apresentação de um plano de construção de corredores de ônibus, Metrô e melhoria da CPTM em toda Região Metropolitana de São Paulo. A prioridade é que esse plano tenha a mesma gestão apresentada pelo governo federal do Plano de Aceleração do Crescimento, com apresentação de metas e a cada quatro meses prestação de contas à sociedade.
O controle social da construção do Rodoanel Norte é essencial, pois o governo estadual não tem cumprido o prometido
a) No trecho oeste, após passados oito anos da inauguração é que estão terminando as compensações, como a barreira acústica que protege o bairro de Tamboré, em Barueri, que está sendo terminado em 2011;
b) No trecho Sul houve aterro da represa Billings, matança de animais e fechamento de nascentes d’ água. A obra foi inaugurada sem que fosse feito o duto para escoamento de produtos poluentes, em caso de acidente, para não contaminar os mananciais. O tombamento de um caminhão com líquido inflamável no ano de 2010 acabou atingindo várias nascentes;
c) Na construção da Jacu-Pêssego, que liga o Rodoanel à Rodovia Ayrton Senna, o Dersa, representando o governo estadual, queria pagar um valor muito baixo pelas moradias e ameaçou a população com despejo, inclusive chamando a Polícia Militar. Foi a intervenção dos parlamentares do PT que evitou o despejo dos moradores;
d) Controlar o custo da obra, pois o trecho sul estava orçado em R$2,9 bilhões e acabou custando R$ 5 bilhões;
e) Evitar fraudes, pois na construção dos trechos oeste e sul, foram feitos três relatórios pelo Tribunal de Contas da União, constatando várias irregularidades, como falta de projeto básico detalhado, superfaturamento, pagamento antecipado, por obras não realizadas, entre várias outras que ferem a lei 8.666/93.
Dessa forma é preciso controle público para que a população não seja prejudicada e o dinheiro dos impostos seja usado de forma correta.
O estágio atual do Rodoanel – trecho Norte está em finalizar as audiências públicas para apresentação do EIA- Rima, obtenção da Licença Prévia pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente – CONSEMA, fazer o projeto básico para licitação, audiência pública para construção da obra e a licitação. É muito difícil o governo estadual fazer todo esse processo até o fim do ano, pois é demorado e complexo. No orçamento estadual está provisionado R$ 1,348 bilhão para a obra. O governo federal vai custear um terço do Rodoanel – Norte, mas a gestão será feita pelo governo estadual.
Concluindo
O Partido dos Trabalhadores tem participado ativamente das discussões sobre a obra do Rodoanel e seus impactos sociais e ambientais, através das iniciativas dos deputados José Zico Prado, Carlos Neder, Rui Falcão, Alencar Santana e Luiz Cláudio Marcolino, junto com o líder Antonio Mentor, da Bancada dos vereadores de São Paulo, Francisco Chagas, Chico Macena, Senival, Zelão e o líder Ítalo Cardoso e dos vereadores de Guarulhos José Luiz, Edmilson Souza, Auriel Brito e do Secretário Moacir de Souza.
Há ainda vários movimentos suprapartidários que estão mobilizados contra a concepção atual da obra em que participam ambientalistas, lideranças comunitárias, religiosas, sindicalistas, entre outros, como o Fórum Contra o Traçado do Rodoanel Norte e o Comitê Contra o Traçado do Rodoanel – Guarulhos.
A percepção geral é que o Rodoanel é uma obra importante para o Estado de São Paulo, mas o traçado apresentado pelo governo estadual não contempla as demandas sociais e ambientais e que é preciso alterá-lo e o método construtivo; abandonando o corte e aterro e priorizando os túneis e viadutos, como na Rodovia Imigrantes, para não desalojar a população que mora na região e mitigar o impacto sobre a flora e a fauna.
Entendemos que é possível abrir um canal de comunicação entre o governo e a comunidade para que essa obra beneficie a todos e que a Serra da Cantareira seja preservada.
O Setorial de Transportes e Mobilidade Urbana do PT e o Setorial de Habitação estão inseridos nessa luta.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Metrô de SP: críticas em encontro sobre mobilidade urbana
Rede Brasil Atual
3 de março de 2011 às 16:40h
Por Suzana Vier, da Rede Brasil Atual
O seminário sobre mobilidade realizado pela Rede Nossa São Paulo na manhã de terça-feira 1º pretendia ser uma discussão sobre soluções inovadoras sobre transporte público sustentável. Em poucos minutos a proposta inicial deu lugar à discussão de velhos problemas atribuídos ao transporte público sobre trilhos na capital paulista e Região Metropolitana de São Paulo. No estado, as linhas de Metrô são responsabilidade da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e as de trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
As críticas giraram em torno da falta de planejamento e de capacidade de realização do poder público estadual em relação a melhorias e expansão de linhas de Metrô e trem. “A gente não tem uma malha ferroviária, tem uma rede para transportar café para Santos”, provoca Marcos Kiyoto, arquiteto especialista em transportes de alta capacidade.
Ele lembra o planejamento da linha 4 do Metrô (Amarela) que estava prevista inicialmente para ter a primeira fase entregue em 2006 e a segunda em 2009. Mas, de acordo com o novo Secretário Estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernando Ribeiro Fernandes, deve começar a funcionar em 2014. Até maio de 2010 somente duas estações foram inauguradas e até março de 2011 funcionam em tempo parcial.
“Os planos mudam mais rápido do que a linha é construída”, brinca Kiyoto. “Há descontinuidade. Faltam prioridades”, critica. O especialista avalia que o Metrô cresce em um “ritmo lento”. Em média, o serviço em São Paulo aumenta 2,6 km por ano, número muito abaixo do crescimento necessário, aponta. “A cidade tem 69 km de Metrô. Estamos absurdamente abaixo da cidade do México com 200 km”, compara.
Kiyoto chama atenção para a importância de estruturar as linhas do Metrô com mais intersecções. Alongar as linhas não resolve o problema de sobrecarga porque não há nós para desembarque.
Manuel Xavier, presidente da Federação Nacional dos Metroviários (Fenametro), aproveitou a presença, na mesa debatedora do encontro, de executivos do Metrô e da Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos. Ele questionou a dificuldade do estado em planejar e executar obras, apesar de dispor das melhores informações e de excelente corpo técnico. “O planejamento estadual é ineficiente. Entre planejamento e construção serão 12 anos para a finalização de uma etapa da linha 4”, indica.
Segundo ele, a obra estourou prazos e orçamento. “A promessa de custo fechado, chamado de turn key, resultou num custo maior. O estado vai colocar mais R$ 500 milhões”, adverte.
Ailton Brasiliense Pires, assessor de planejamento da CPTM e presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), criticou a falta de política de uso do solo na capital paulista. “Deixaram as coisas acontecerem de acordo com os interesses da construção civil. Agora alguém tem de pagar pelo problema”, destaca.
Ele pleiteia um plano de adensamento para a região metropolitana a fim de planejar habitações de acordo com a oferta de transportes de alta capacidade. “A linha Leste-Oeste, que parte da estação Corinthians Itaquera, sai com 60 mil. Ao chegar no Brás tem 80 mil”, descreve. “Dez pessoas por metro quadrado, como no Metrô, seria bom se eu pudesse escolher as outras nove”, ironiza.
Para ele, “há muitos prefeitos e governadores, mas poucos estadistas”. O que justificaria a descontinuidade de ações e mudanças constantes de planos. Mas o pior, segundo Pires, é a ideia de que transporte público é uma questão de mercado. “Lucro máximo tem a ver com investimento mínimo”, destaca. “O Metrô deveria ser um projeto de cidadania”, dispara.
Defesa
Epaminondas Duarte Junior, assistente da diretoria de Planejamento e Expansão dos Transportes Metropolitanos, representante do Metrô no encontro, defendeu as ações da empresa. “Planejamento é planejar sempre. A cidade muda, por isso a necessidade de sempre estar planejando”, indicou. “O Metrô faz isso muito bem”, rebateu.
O representante do Metrô explicou que a população que mora na periferia cresceu, mas a densidade de emprego continua preponderante no centro da capital paulista. Fato que leva grande contingente, continuamente, a uma mesma área da cidade. Duarte também justificou problemas no Metrô devido à troca de sinalização de todo o sistema. “A sinalização é da década de 1960”, informa. “Teremos o que há de mais moderno em termos de sinalização”, aponta.
Na mesma linha, o assessor da presidência do Metrô, Marcos Kassab, garantiu que a única falha da empresa é “fazer muito planejamento, mas informar pouco sobre o que faz”. O representante do secretário Estadual de Transportes Metropolitanos afirmou que o sistema sobre trilhos não cresce por falta de recursos. Para melhorar a situação, ele sugere corte nos impostos de implantação de transporte público.
Monotrilho
A expansão do Metrô por monotrilho, defendida pelo governo do estado em pelo menos duas linhas de Metrô causou uma série de críticas de parte da mesa debatedora e da plateia.
Para Kiyoto, a alternativa não é boa para a capital paulista por ter capacidade média de transporte de passageiros, quando a cidade precisa de alternativas de alta capacidade. “O monotrilho sobrecarrega o transporte, não cria rede”.
Xavier da Fenametro disse estranhar o fato do monotrilho estar em desuso no mundo, mas estar listado para importantes obras de transporte coletivo no estado de São Paulo.
Moradores da Cidade Tiradentes, zona leste da capital paulista, uma das regiões que deve receber o modal de transporte, questionaram a segurança e a viabilidade do modal. “Não atende a demanda da população”, esclarece Vira, liderança da região.
Na defesa do projeto, Duarte avalia que o monotrilho terá a mesma qualidade de serviços do Metrô, mantendo a confiabilidade e regularidade. Ele garante que um monotrilho poderá transportar 40 mil pessoas por sentido por hora. Kassab ponderou que seriam 48 mil pessoas.
Autoridade metropolitana
A ideia de uma autoridade metropolitana, uma espécie de prefeito da região metropolitana de São Paulo, foi bem aceita pelos especialistas presentes no encontro sobre mobilidade. Entretanto, é preciso que a entidade funcione e não seja apenas figurativa, ressaltou Xavier, presidente da Fenametro.
Kassab identifica que não há mais limites entre municípios. “Não há barreiras visuais entre municípios”, menciona. “Metrópole funciona como unidade”, pressupõe o assessor da Presidência do Metrô.
Pires da ANTP defende uma autoridade que realize o planejamento integrado dos 39 municípios que compõem a região. A Região Metropolitana de São Paulo concentra 10% da população brasileira e 50% do estado.
Frota de SP chegará neste mês a 7 milhões de veículos
Foram 8 anos para pular de 5 milhões para 6 milhões; o milhão a mais será em 3 anos
A frota paulistana vai atingir neste mês a impressionante marca de 7 milhões de veículos. Segundo dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), que recebe informações da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo), janeiro já fechou com 6.973.958 de carros, motos, caminhões e ônibus. Os números de fevereiro ainda serão divulgados, mas, seguindo a evolução mensal dos emplacamentos, o último milhão está prestes a ser alcançado.
O mais surpreendente é que, enquanto a cidade demorou oito anos para pular de 5 milhões para 6 milhões - de janeiro de 2000 a 2008 -, os 7 milhões serão batidos em apenas três anos. Com um detalhe: São Paulo tem 17 mil km de vias pavimentadas. Para-choque a para-choque, a frota atual formaria uma fila de 26 mil km de ruas e avenidas, quase duas vezes a distância de São Paulo até Cabul, no Afeganistão. Para efeito de comparação, na década de 1970 a capital registrava 965 mil veículos para número parecido de vias: 14 mil km.
Aílton Brasiliense, presidente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) e ex-diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), faz um alerta.
- O aumento da frota registra a riqueza da cidade, mas também mostra uma situação burra, um grande erro. Com mais carro e mais trânsito, há um sobrecusto na tarifa do ônibus, há mais poluição, a velocidade média cai. Aí você precisa de mais caminhões para transportar as mercadorias. Vira um círculo vicioso.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
A frota paulistana vai atingir neste mês a impressionante marca de 7 milhões de veículos. Segundo dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), que recebe informações da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo), janeiro já fechou com 6.973.958 de carros, motos, caminhões e ônibus. Os números de fevereiro ainda serão divulgados, mas, seguindo a evolução mensal dos emplacamentos, o último milhão está prestes a ser alcançado.
O mais surpreendente é que, enquanto a cidade demorou oito anos para pular de 5 milhões para 6 milhões - de janeiro de 2000 a 2008 -, os 7 milhões serão batidos em apenas três anos. Com um detalhe: São Paulo tem 17 mil km de vias pavimentadas. Para-choque a para-choque, a frota atual formaria uma fila de 26 mil km de ruas e avenidas, quase duas vezes a distância de São Paulo até Cabul, no Afeganistão. Para efeito de comparação, na década de 1970 a capital registrava 965 mil veículos para número parecido de vias: 14 mil km.
Aílton Brasiliense, presidente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) e ex-diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), faz um alerta.
- O aumento da frota registra a riqueza da cidade, mas também mostra uma situação burra, um grande erro. Com mais carro e mais trânsito, há um sobrecusto na tarifa do ônibus, há mais poluição, a velocidade média cai. Aí você precisa de mais caminhões para transportar as mercadorias. Vira um círculo vicioso.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Deputado Zico cobra em plenário uma solução para o prolongamento da Jacu-Pessego
Matéria postada em 02/12/2010
Deputado Zico cobra em plenário uma solução para o prolongamento da Jacu-Pessego Após reunião entre o deputado Zico, diretor da Dersa e representantes dos moradores do entorno das obras de ampliação da av. Jacu-Pessego, entregue às pressas, o deputado Zico cobrou, em discurso no plenário, um compromisso do Governador em exercício, Alberto Goldman, uma solução para os problemas.
Acompanhe a transcrição do discurso:
Sr. Presidente, queria aproveitar a minha fala, Sr. Presidente, para comentar sobre a situação de São Mateus, do Jardim Iguatemi, de toda a extensão do prolongamento da Jacu/Pêssego, que foi inaugurada no período eleitoral, uma estrada fechada. Sua marginal ainda não está pronta, e estamos esperando que o Governador do Estado, o Sr. Alberto Goldman, termine essa obra antes das enchentes, porque senão centenas de famílias estarão debaixo d’água. As ruas por onde passaram os caminhões pesados com o material para a construção da obra foram totalmente danificadas. Portanto, todas essas ruas têm que ser recuperadas. E são muitas. Assim, pedimos ao Governador Alberto Goldman, ainda no Governo do Estado, que não permita que em janeiro, durante as chuvas, todas essas famílias da região sejam afetadas. E para isso a canalização do córrego também tem que ser feita.
E gostaria também de falar sobre outro trecho do Rodoanel, o Trecho Norte. Foram discutidos três projetos e o Governador Serra e o Governador Goldman escolheram o mais barato. Mas é o que mais próximo da cidade passa. Do centro da cidade até ele, são 12 quilômetros. Nem um trecho do Rodoanel é tão próximo do Marco Zero da cidade como esse. E ele vai criar um impacto ambiental muito grande, porque vai passar pelo pé da Serra da Cantareira, pelo Horto Florestal. Mas há também o impacto social, porque vai segregar muitas e muitas famílias que moram na região.
Estou acompanhando, continuarei acompanhando de perto, porque acho que não adianta economizar para fazer o Rodoanel. É uma obra importante para o Estado, principalmente se pensarmos na Copa do Mundo 2014 e nas Olimpíadas de 2016. Mas acima de tudo precisamos preservar as famílias que estão lá, deixando-as continuar morando na região. E os outros dois traçados do Rodoanel podem ser muito bem discutidos. Provavelmente o custo financeiro será maior, mas beneficiará muito mais a população e, com certeza, o meio ambiente.
No sábado passado, às 3 horas da tarde, a população da Zona Norte, toda a população do entorno do Rodoanel, deu um abraço simbólico no parque, e pedimos ao Governador do Estado que não pense em fazer economia, deixando milhares de famílias desabrigadas, dividindo a cidade de São Paulo em duas partes: a do lado de lá do Rodoanel e a do lado de cá. Muito obrigado.
Fonte: Leia na pagina do deputado José Zico Prado
Deputado Zico cobra em plenário uma solução para o prolongamento da Jacu-Pessego Após reunião entre o deputado Zico, diretor da Dersa e representantes dos moradores do entorno das obras de ampliação da av. Jacu-Pessego, entregue às pressas, o deputado Zico cobrou, em discurso no plenário, um compromisso do Governador em exercício, Alberto Goldman, uma solução para os problemas.
Acompanhe a transcrição do discurso:
Sr. Presidente, queria aproveitar a minha fala, Sr. Presidente, para comentar sobre a situação de São Mateus, do Jardim Iguatemi, de toda a extensão do prolongamento da Jacu/Pêssego, que foi inaugurada no período eleitoral, uma estrada fechada. Sua marginal ainda não está pronta, e estamos esperando que o Governador do Estado, o Sr. Alberto Goldman, termine essa obra antes das enchentes, porque senão centenas de famílias estarão debaixo d’água. As ruas por onde passaram os caminhões pesados com o material para a construção da obra foram totalmente danificadas. Portanto, todas essas ruas têm que ser recuperadas. E são muitas. Assim, pedimos ao Governador Alberto Goldman, ainda no Governo do Estado, que não permita que em janeiro, durante as chuvas, todas essas famílias da região sejam afetadas. E para isso a canalização do córrego também tem que ser feita.
E gostaria também de falar sobre outro trecho do Rodoanel, o Trecho Norte. Foram discutidos três projetos e o Governador Serra e o Governador Goldman escolheram o mais barato. Mas é o que mais próximo da cidade passa. Do centro da cidade até ele, são 12 quilômetros. Nem um trecho do Rodoanel é tão próximo do Marco Zero da cidade como esse. E ele vai criar um impacto ambiental muito grande, porque vai passar pelo pé da Serra da Cantareira, pelo Horto Florestal. Mas há também o impacto social, porque vai segregar muitas e muitas famílias que moram na região.
Estou acompanhando, continuarei acompanhando de perto, porque acho que não adianta economizar para fazer o Rodoanel. É uma obra importante para o Estado, principalmente se pensarmos na Copa do Mundo 2014 e nas Olimpíadas de 2016. Mas acima de tudo precisamos preservar as famílias que estão lá, deixando-as continuar morando na região. E os outros dois traçados do Rodoanel podem ser muito bem discutidos. Provavelmente o custo financeiro será maior, mas beneficiará muito mais a população e, com certeza, o meio ambiente.
No sábado passado, às 3 horas da tarde, a população da Zona Norte, toda a população do entorno do Rodoanel, deu um abraço simbólico no parque, e pedimos ao Governador do Estado que não pense em fazer economia, deixando milhares de famílias desabrigadas, dividindo a cidade de São Paulo em duas partes: a do lado de lá do Rodoanel e a do lado de cá. Muito obrigado.
Fonte: Leia na pagina do deputado José Zico Prado
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