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O Setorial de Transportes do PT nasceu junto com o Partido dos Trabalhadores. O objetivo sempre foi o de fomentar políticas públicas para o transporte coletivo e logística para distribuição de mercadorias. Estamos abrindo esse espaço para ampliar a discussão sobre o tema.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Após várias panes, Estado vai investir 6% a mais em trens


Proposta Orçamentária prevê R$ 2,9 bilhões para a CPTM; Linha 9, onde os problemas são mais frequentes, receberá a maior fatia
SÃO PAULO - Após registrar mais de 20 grandes panes na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) ao longo deste ano e anunciar um grande programa de modernização, o governo do Estado apresentou ontem a Proposta Orçamentária de 2013 com aumento de 6% em investimentos nos trens. A previsão é de que sejam gastos R$ 2,9 bilhões nos trens no ano que vem. A Proposta Orçamentária de 2013 foi apresentada nesta terça-feira, 2, e precisa ser aprovada pela Assembleia Legislativa, onde pode sofrer mudanças.
No caso da CPTM, a linha que mais terá aumento nos investimentos será a 9-Esmeralda (Osasco-Grajaú, que passa pela Marginal do Pinheiros). O crescimento é de 40% em relação a este ano, passando de R$ 72 milhões para R$ 101 milhões. É justamente a linha que mais apresentou problemas (veja abaixo). Fora os recursos para modernização, há também previsão de R$ 71,5 milhões para prolongar o ramal até Varginha, no extremo sul da cidade, com mais três estações.
Por outro lado, a Linha 8-Diamante (Júlio Prestes-Itapevi), que também registra panes frequentes, terá o ritmo de investimentos reduzido a mais da metade no ano que vem. A proposta prevê R$ 127 milhões em gastos, contra R$ 243 milhões neste ano.
Além desses gastos, que estão sendo usados para troca de sistemas elétricos e melhoria das vias, há previsão de investimento de R$ 1,1 bilhão para a compra de trens. O governo do Estado tem uma licitação em andamento que pretende comprar mais 65 trens para a CPTM, em um processo que só deve terminar no fim dessa gestão.
Metrô. No total, os recursos para o transporte público da Região Metropolitana de São Paulo devem crescer 20% - de R$ 6 bilhões no ano passado para R$ 7,2 bilhões. Mas o Metrô vai ter menos dinheiro para melhorar a rede. O orçamento aprovado para 2012 previu R$ 4,9 bilhões. A proposta para 2013 é de R$ 4,84 bilhões (queda de 1,2%, sem correção da inflação).
O governo do Estado argumenta que o gasto global dos transportes está aumentando e garante que as três novas linhas previstas para o ano que vem - 6-Laranja (entre o centro e Brasilândia), 18-Bronze (monotrilho para o ABC) e o prolongamento da Linha 2-Verde (da Vila Prudente à Rodovia Presidente Dutra) vão ocorrer.
Os investimentos para o transporte individual rodoviário vão consumir quase tanto quanto o Metrô. A previsão é de R$ 4,6 bilhões. Os principais recursos vão para o Trecho Norte do Rodoanel e a Rodovia dos Tamoios.
Fonte: O Estado de S.Paulo

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Frota das capitais quase dobra em 10 anos; SP ganha 3,4 mi de veículos


Avanço porcentualmente maior foi da região metropolitana de Manaus (141,9%); para especialistas, crescimento ameaça controle viário
SÃO PAULO - A frota das 12 principais capitais do Brasil praticamente dobrou em dez anos. O crescimento médio no número de veículos foi de 77%, sem que a infraestrutura viária e os órgãos de controle do trânsito acompanhassem o ritmo. Em São Paulo, a metrópole que mais ganhou carros em números absolutos, as ruas receberam 3,4 milhões entre 2001 e 2011. As 12 principais metrópoles somam 20 milhões de veículos, o que corresponde a 44% da frota nacional.
A conta é do Observatório das Metrópoles e usa dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Segundo o elaborador do estudo, o pesquisador Juciano Martins Rodrigues, foram analisadas informações de 253 municípios. "Usamos os critérios do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para selecionar as capitais de Estado que formavam regiões metropolitanas", afirma.
São Paulo e Rio, capitais que já tinham as maiores frotas de carros do País, ficam nas últimas posições do ranking elaborado pelo estudo - que classifica o crescimento de frota de acordo com o crescimento relativo, ou seja, pelo porcentual de aumento do número de carros. O Rio é o lanterna: crescimento de 67%, embora isso signifique acréscimo de 1 milhão de carros no período. Já São Paulo teve crescimento populacional de 7,9% na década, segundo dados da Fundação Seade - e o porcentual de aumento de carros foi de 68,2%.
Com o critério porcentual, a região metropolitana de Manaus é a campeã. O aumento da frota foi de 141,9%. A cidade ganhou 209 mil veículos (saltou de 147 mil, em 2001, para 357 mil).
As capitais não estavam preparadas para receber tantos carros a mais. Em São Paulo, por exemplo, em 2001 havia 1,2 mil agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) orientando o trânsito nas ruas. De lá para cá, mesmo com dois concursos públicos para marronzinhos, esse número não chega a 2 mil. A principal obra viária no período foi a ampliação da Marginal do Tietê, que trouxe mais três pistas para a via expressa. Nesse período, a velocidade média dos carros no horário de pico, medida pela CET no Corredor Eusébio Matoso-Rebouças-Consolação, caiu de 17,9 km/h para 7,6 km/h.
O crescimento da frota de veículos é um fenômeno que vem sendo notado há alguns anos, mas ainda não havia sido analisado como o Observatório das Metrópoles fez. Para especialistas e autoridades, o avanço resulta de três fatores: aumento da renda da população (especialmente da classe C), reduções fiscais do governo federal e facilidades de crédito promovidas pelos bancos.
O gerente aposentado Pedro Manzoni, de 73 anos, é um exemplo. Dono de um Corsa zero-quilômetro, diz trocar de carro a cada vez que o veículo atinge 20 mil km rodados. "Já cheguei a ter cinco em casa, quando os filhos moravam comigo. Hoje, tenho apenas o meu, mas os filhos continuam com os deles."
Redesenho. O arquiteto e urbanista Benedito Lima de Toledo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), afirma que, em São Paulo, o núcleo viário central da cidade não acompanhou o crescimento da frota. "E isso não é desejável", afirma. Para ele, a cidade não pode ser redesenhada para se adequar ao número de carros. "Isso tem um preço social altíssimo, e a conta é paga por todos, não só por quem tem carro."
Para Toledo, os ajustes que precisam ser feitos para minimizar o trânsito caótico passam não só pelo aumento da malha do Metrô, mas por um replanejamento das áreas de paradas metroviárias.
"As estações precisam ter comércio, prestação de serviço. Não ser uma 25 de Março, mas lojas que atendam às necessidades básicas das pessoas."
Fonte: O Estado de S.Paulo

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dilma quer mudar comportamento do motorista no trânsito


Governo lança campanha para reduzir os acidentes de trânsito no Brasil. País vai investir R$ 42 bi em rodovias e comprar 1 milhão de bafômetros.
A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (1º), durante seu programa de rádio “Café com a presidenta”, que o governo pretende reduzir os acidentes de trânsito no país ao lançar o Pacto Nacional pela Redução de Acidentes, o Parada. Um dos objetivos da campanha é mudar o comportamento dos motoristas no trânsito.
Dilma iniciou o programa informando sobre as mortes no trânsito. Para ela, o índice de mortes é devastador e o objetivo do governo, com o Parada, é reduzir o número de vítimas.
“Estamos fazendo uma grande mobilização para reduzir o número de acidentes nas estradas e nas cidades. 42 mil pessoas perdem a vida todos os anos em acidentes de trânsito no Brasil. É um número devastador. É por isso que lançamos o Pacto Nacional pela Redução de Acidentes. Eu, inclusive, conversei sobre esse pacto com o secretário-geral da ONU, o Sr. Ban Ki-moon, quando estive em Nova York, na semana passada. A ONU lançou a Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito. É tentar reduzir pela metade as mortes no trânsito em todos os países até 2020. Aqui no Brasil, nós vamos participar desse esforço mundial pela redução das mortes no trânsito”.
Jovens são maiores vítimas
A presidente se mostrou preocupada com o índice de jovens mortos em acidentes de trânsito. “Os acidentes de trânsito se tornaram uma epidemia. O mais triste é que, no Brasil, metade das vítimas é formada por jovens, com idade entre 15 e 39 anos. São perdas irreparáveis para as famílias, para os amigos e para o país. A dor da mãe que perde o filho em um acidente é inimaginável”.
Para Dilma, é possível alterar esse quadro. “A gente sabe que algumas atitudes poderiam evitar boa parte desses acidentes. Por isso, estamos convocando artistas, esportistas, empresários, governadores, prefeitos e todos os brasileiros a participar desse pacto pela vida”.
Dilma explicou como o plano vai funcionar. “Vamos fazer uma ampla campanha de conscientização, com a parceria da Federação Internacional de Automobilismo, que organiza as corridas de Fórmula 1. O objetivo é incentivar os brasileiros a mudar o comportamento no trânsito. Nós temos que evitar que o motorista dirija em alta velocidade, que pegue o volante depois de beber. Sempre lembrando também que todos precisam usar o cinto de segurança”.
R$ 42 bi nas rodovias
Segundo Dilma, o governo vai investir em infraestrutura. “Estamos realizando obras para melhorar as rodovias de todo o país. Com o Plano de Investimentos em Logística, vão ser investidos R$ 42 bilhões para duplicar e modernizar mais de 7.500 km de rodovias. Também estamos investindo quase R$ 40 bilhões para melhorar o transporte coletivo nos grandes centros urbanos do país”.
Para Dilma, é necessário ainda mudar a legislação. “Precisamos ainda adaptar a legislação para punir com mais rigor quem adota comportamentos de risco no trânsito, porque você sabe, quem comete uma imprudência no trânsito não está colocando em risco só a própria vida, mas também a vida dos outros.
1 milhão de bafômetros
Dilma disse vai reforçar as campanhas de educação no trânsito e também apoiar as ações de fiscalização. “Até o final deste ano, vamos começar a distribuir 1 milhão de bafômetros para ajudar os Detrans de todo o país em suas ações de fiscalização.
Fonte: G1

Metrô reformará 20 estações até a Copa de 2014

São Paulo - Quase um terço das estações da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) deve ganhar um 'banho de loja'. O motivo? A Copa do Mundo de 2014. Para o evento esportivo, a empresa quer deixar mais apresentáveis 20 das suas 64 paradas, algumas inauguradas 38 anos atrás.
Entre as que passarão pelo "embelezamento" estão Sé, Santa Cruz, Paraíso, Palmeiras-Barra Funda, Marechal Deodoro, Artur Alvim e Corinthians-Itaquera (as duas próximas do Itaquerão, palco da abertura do Mundial de futebol).
O concreto aparente que predomina na Linha 1-azul, a mais antiga, ganhará tratamento especial, por exemplo. Já o tradicional piso preto de borracha cheio de círculos dará lugar a um material mais nobre, o granito, que atualmente decora plataformas como as da Consolação, na Linha 2-verde.
Ao todo, 62 mil metros quadrados de chão devem receber o novo revestimento. Além da estética, a vantagem dessa troca é que ela poderá trazer ganhos com a iluminação, pois o índice de reflexão de luz do granito é maior que o da plurigoma (nome técnico dado ao revestimento negro).
Segundo uma apresentação feita no mês passado pelo arquiteto do Metrô Edgard Georges El Khouri, essa intervenção, aliada ao uso de "novos e mais econômicos elementos de iluminação", reduzirá o consumo de energia elétrica.
O piso de pedra também é mais resistente. "O plurigoma, em áreas com muita gente, como acontece no metrô, é ineficiente, porque é preciso trocá-lo toda hora. E o granito é o melhor piso que existe, com maior rigidez e longevidade", explica Nestor Tupinambá, um dos representantes do Metrô no Sindicato dos Engenheiros.
Calçadas
As calçadas no entorno de parte das estações também serão reformadas, ganhando blocos intertravados. Nesse caso, a estimativa é de que 19 mil metros quadrados de calçamentos sejam trocados, incluindo os feitos de mosaico português.
Dentro das paradas, os forros serão substituídos por novas estruturas, similares às que já existem nas estações da Linha 2-Verde sob a Avenida Paulista, como a Trianon-Masp. Trata-se da colocação de tábuas na posição vertical, deixando o teto vazado. O raciocínio dos técnicos do Metrô é que esse material permite "fácil limpeza", com a redução do uso de produtos químicos e um menor tempo para a manutenção de equipamentos de serviço instalados acima. Cerca de 22 mil m2 de forros serão reformados.
As estações devem ter nova demão de tinta em 360 mil metros quadrados de estruturas de concreto. Por último, também serão trocadas as laterais das coberturas de metal das estações em superfície da Linha 3-Vermelha, como Corinthians-Itaquera.
O Metrô não informou quanto vai gastar nessas obras nem quando elas serão iniciadas. Mas a reportagem apurou que os trabalhos devem começar entre o fim deste ano e os primeiros meses de 2013. Mas os trabalhos serão entregues até a Copa, que começa em junho de 2014? O engenheiro José Geraldo Baião, presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos do Metrô (Aeamesp), acredita que sim. "São serviços contratados de empresas terceirizadas, com cronogramas de obras", diz.
Divergências
Passageiros diários do Metrô divergem sobre as reformas. A universitária Raquel Bressan, de 21 anos, diz ser contra. "Deveriam se preocupar mais em melhorar a qualidade do transporte. Quase sempre tem alguma pane." O atendente Ivan Márcio Correia, de 44, concorda que as prioridades deveriam ser outras. "Que tal pegar o dinheiro que vão gastar com isso e contratar mais funcionários para auxiliar idosos e cegos nos horários de pico?" Mas o engenheiro Sergio Woisky, de 55, prevê que as obras serão benéficas. "No caso do piso, colocarão um que desgasta bem menos." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Fonte: Estadão

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Obra no Tietê é 1º passo para o hidroanel


Governo deve abrir este ano licitação para eclusa na Penha, que vai permitir a navegação em mais 14 km do rio
Anel hidroviário de 170 km nos rios Pinheiros e Tietê e duas represas irá viabilizar o transporte de passageiros e cargas

Adriano Vizoni - 24.ago.2012/Folhapress
Vista da barragem da Penha, no rio Tietê
Vista da barragem da Penha, no rio Tietê
EDUARDO GERAQUE
EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO
O governo de SP pediu a licença ambiental prévia para iniciar as obras da eclusa da barragem da Penha, no rio Tietê (zona leste da capital), primeiro passo para viabilizar antigo projeto do Estado: o hidroanel metropolitano.
Eclusa é uma obra de engenharia hidráulica que possibilita navegar em locais onde há desnível no leito do rio -ela permite ao barco subir ou descer, conforme o caso.
A licença prévia foi pedida à Cetesb (agência ambiental paulista) e pode ser concedida dentro de um mês.
A eclusa tornaria navegável um trecho de 14 km do rio, até São Miguel Paulista, no extremo leste da cidade. Hoje, o Tietê tem 41 km navegáveis, entre a Penha e a cidade de Santana do Parnaíba.
O projeto do governo é construir um hidroanel de 170 km ao redor da capital, que incluiria os rios Tietê e Pinheiros e as represas Billings (zona sul e ABC) e Taiaçupeba (Suzano). Um canal artificial de 18 km precisará ser feito para ligar as duas represas.
Embora o projeto contemple o transporte de passageiros (principalmente nas represas), a prioridade é transportar lixo, entulhos, material de dragagem do rio, resíduos da construção civil e lodo retirado das estações de tratamento, além de produtos hortifrutigranjeiros.
"É viável a construção do hidroanel. O projeto, se realmente for feito, já se justifica só pelo transporte de material de dragagem e lodo", diz Alexandre Delijaicov, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
Ele é um dos pesquisadores que ajudou a elaborar os projetos iniciais -a faculdade venceu uma licitação.
O horizonte para concluir o hidroanel é 2045. Mas há obras de curto prazo, que podem terminar em cinco anos.
A licitação da eclusa será aberta em breve, segundo Casemiro Tércio Carvalho, diretor do Departamento Hidroviário de SP. "Estamos terminando os orçamentos."
No total, a implantação do hidroanel deve custar algo em torno de R$ 4 bilhões.
Ao longo da hidrovia estão previstas a construção de 60 ecoportos (que recebem material já triado), 11 eclusas e 3 portos de destino. "São locais que vão promover a interligação do barco, do trem e do caminhão", diz Delijaicov.
A principal vantagem do hidroanel, dizem os técnicos, é retirar das ruas caminhões que transportam resíduos.
Em alguns casos, será possível usar os rios como uma espécie de piscinão. "É uma alternativa contra as enchentes, que poderá ficar mais barata", afirma Delijaicov.

LIXO DOMÉSTICO
O ponto negativo: como os barcos vão transportar também lixo doméstico, por exemplo, existe sempre risco de contaminação das águas.
Se o Tietê e o Pinheiros não vão sentir muita diferença, a parte limpa da Billings, onde existe inclusive a captação de água para consumo humano, pode sentir bastante qualquer tipo de incidente.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Secretários de Kassab defendem pedágio urbano em São Paulo


Eduardo Jorge, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, e Marcelo Cardinale Branco, da Secretaria Municipal de Transportes, falaram sobre o tema durante o Seminário Internacional Andar a Pé nas Cidades
SÃO PAULO - Dois secretários da gestão Gilberto Kassab (PSD) disseram na manhã desta sexta-feira, 21, serem favoráveis à implantação do pedágio urbano. As afirmações foram feitas por Eduardo Jorge, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, e Marcelo Cardinale Branco, da Secretaria Municipal de Transportes, durante o Seminário Internacional Andar a Pé nas Cidades, na Avenida Paulista.
Ambos os dirigentes falaram na abertura do evento, voltado à discussão de medidas para melhorar a mobilidade dos pedestres na cidade. O primeiro a defender o pedágio urbano foi Jorge. "Eu insisto: nessa cesta de ações para melhorar a mobilidade, limpar a cidade, melhorar a saúde das pessoas e salvar vidas, tem uma questão de que as cidades não podem fugir, que é a restrição ao uso abusivo do automóvel e da moto. Não tem saída." Mas Jorge disse que as autoridades, inclusive as do Judiciário e as do Legislativo, "fogem disso como o diabo da cruz". "A medida que hoje está sendo usada com sucesso em outros países é o pedágio urbano. Ele é necessário. Ele vai melhorar imediatamente os congestionamentos." .
De acordo com o secretário, o pedágio "vai gerar um fundo adicional que vai ser somado ao orçamento dele para investir mais no metrô e no ônibus e nas calçadas". Jorge disse, no entanto, que o prefeito Kassab é contrário a essa ideia e que a sua opinião "é um ponto de vista pessoal"..
Em seguida, Jorge passou a palavra para Cardinale Branco, que acumula a presidência da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), empresa municipal responsável por gerenciar o trânsito na capital. O dirigente afirmou que, assim como Jorge, é "favorável" ao pedágio urbano. .
A restrição à circulação de veículos nas áreas mais centrais de São Paulo é um assunto polêmico. Alguns especialistas em mobilidade urbana defendem a implantação da medida imediatamente, argumentando que a saturação viária já atingiu um ponto crítico. Outros, no entanto, entendem que a ação só pode ser tomada após a ampliação do transporte público, em especial o metrô. .
Mas a medida, que pode gerar desgaste político, é tratada com muita delicadeza pela Prefeitura, que oficialmente sempre reiterou que não adotará o pedágio urbano. A grande maioria dos candidatos a prefeito também nega que tenha intenção de implantá-lo. .
No início da noite, a Prefeitura enviou uma nota em que informa que "respeita as opiniões pessoais" dos dois secretários, mas não cogita mudar a sua posição "firmemente contrária" ao pedágio urbano. .
Fonte: SP | Estadão
 

Nunca se andou tanto de trem na capital


Metrô e CPTM ganharam 1,2 milhão de passageiros em um ano e tiveram recorde histórico no último dia 6
Nunca se andou tanto de metrô e de trem na cidade de São Paulo. No dia 6 deste mês os dois sistemas de transporte sobre trilhos registraram recorde histórico de passageiros transportados. No caso do Metrô, foram 4,7 milhões de pessoas. Na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), 2,8 milhões viajaram em seus trens na véspera do feriado de 7 de setembro.
O curioso é que o aumento de passageiros acontece sem que tenham ocorrido inaugurações recentes de linhas e estações. Já faz quase um ano que os mais novos pontos de parada do Metrô foram abertos e não houve acréscimo nos últimos meses. Mesmo assim o salto foi de 1,2 milhão de pessoas no sistema que integra Metrô e CPTM, comparando-se com o ano passado. Como é possível viajar na rede de trilhos com a mesma passagem, não se sabe exatamente quantos passageiros foram para cada sistema.
O reflexo imediato dessa quantidade crescente de usuários em uma rede com o mesmo tamanho é a superlotação, principalmente nos horários de pico (início da manhã e final da tarde).
A doméstica Sônia Soares disse que já se acostumou ao empurra-empurra na hora de voltar para casa. Ela pega o Metrô na Estação Sé e depois um ônibus até chegar em sua casa, na Penha, Zona Leste. "Cada ano que passa está pior", afirmou. "Vai chegar uma hora que não vai dar mais. Vão ter de fazer alguma coisa."
Para a estudante Jenifer Naiane, o governo já está fazendo o que pode para melhorar o sistema. "Sinto que os trens estão passando com mais frequência. É só aguardar um pouco que a gente consegue entrar."
A estudante está parcialmente certa. De fato os investimentos estão acontecendo, mas não na velocidade necessária. O governo estadual, responsável pelos dois sistemas, pretende investir R$ 45 bilhões em transporte de massa sobre trilhos no período 2012-2015. Mas não há qualquer garantia que essa quantia será suficiente.
Na visão do assessor técnico da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), Marcos Bicalho, a superlotação do Metrô é consequência da eficiência do sistema.
"No ônibus vai haver a mesma superlotação, só que a pessoa vai ficar presa no trânsito", disse. "Com a economia aquecida as pessoas vão demandar cada vez mais por um sistema rápido de transporte e os investimentos para aumentar a rede são altíssimos, mas sempre insuficientes. Portanto, a superlotação é um efeito disso e as pessoas têm de conviver com ela no curto prazo."
Outro especialista, o urbanista Flamínio Fichmann, consultor em transportes, costuma dizer que a demanda vai ser sempre maior do que a oferta. "Apesar das ofertas de transporte público, qualquer investimento feito nessa área tem abrangência finita", afirmou.
O maior problema é que a superlotação não é a única consequência dessa demanda reprimida. Dados do governo revelam que nos últimos anos a quantidade de panes na rede vem aumentando. Nos primeiros oito meses deste ano foram 46 no Metrô e 24 na CPTM. No ano passado inteiro foram 59 panes no Metrô e 35 na CPTM.
Governo testa medidas para reduzir lotação
A superlotação no Metrô e na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) tem atormentado o governo do estado de São Paulo que, na semana passada, anunciou um pacote de medidas para minimizar o problema. Na quinta-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) confirmou a redução no valor das tarifas das linhas 5-Lilás do Metrô e 9-Esmeralda da CPTM , entre 9h e 10h. A partir de 15 de outubro, o desconto será de R$ 0,50 no valor da passagem, que custa R$ 3, ou seja, a tarifa custará R$ 2,50 entre 9h e 10h, de segunda à sexta. No período de um ano o usuário economizará R$ 132.
O objetivo da iniciativa é melhorar a distribuição do fluxo de passageiros, principalmente nas estações de integração Santo Amaro e Pinheiros. Diariamente, pela manhã, 75,7 mil passageiros utilizam a Linha 5 do Metrô, que vai do Capão Redondo ao Largo Treze. No mesmo período, 132 mil passageiros passam pela Linha 9 da CPTM, que liga o Grajaú ao município de Osasco.
O governo anunciou ainda que a integração com os ônibus na Estação Largo Treze, da Linha 5-Lilás do Metrô, passará a ser gratuita em outubro.
=x=x=x=x=x=x=x=
Entrevista com Jurandir Fernandes - Secretário Estadual de Transportes Metropolitanos
DIÁRIO = Neste mês de setembro o Metrô e a CPTM bateram recordes de passageiros. Qual a explicação para isso?
JURANDIR FERNANDES = Foi uma véspera de feriado que nós atingimos 7,5 milhões de passageiros. Todas as linhas se superaram. Foram 350 mil passageiros a mais na rede. O importante é que os trilhos deram conta do recado.
DIÁRIO = Apesar desse dia atípico, a demanda tem aumentado?
JURANDIR FERNANDES = Sim. Houve a inauguração da Linha 4-Amarela (parte em 2010 e parte em 2011) que trouxe para o sistema cerca de 600 mil passageiros próprios, mais aqueles que vem de outras linhas para ela. Muitos passageiros migraram para os trilhos e deixaram os ônibus porque ganharam tempo e passaram a ter menos despesas. Reduziram custos ficando dentro da rede, de R$ 4,65 (bilhete único) para R$ 3. Em toda a rede o acréscimo foi de 1,2 milhão de passageiros em um ano.
DIÁRIO = E o sistema atual está preparado para isso?
JURANDIR FERNANDES = A gente levou um solavanco. Tivemos um tsunami de passageiros. Sofremos muito em março, abril e maio. Tivemos sabotagens, descarrilamentos, panes de caráter elétrico. Mas com todas essas dificuldades demos conta do recado.
DIÁRIO = E a expansão da rede? O que está sendo feito?
JURANDIR FERNANDES = Ao mesmo tempo estamos fazendo quatro novas obras de Metrô e vamos começar no ano que vem mais três. Serão sete obras do Metrô, além de uma extensão da CPTM e o Expresso ABC. São R$ 45 bilhões de investimentos até 2015. Desse total, R$ 30 bilhões do próprio tesouro e R$ 15 bilhões de capital privado com as parcerias público privadas.